Cultura organizacional

A 5ª Era da Qualidade e o papel do profissional da qualidade

Imagem de uma linha de montagem 100% automatizada, representando A 5ª era da Qualidade e o papel do profissional da qualidade.
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Recentemente, publiquei um artigo no blog falando um pouco sobre Qualidade 4.0, falei um pouco sobre tendências. Hoje, gostaria de falar um pouco mais sobre esse assunto. Desde o surgimento da indústria, na Revolução Industrial, a qualidade vem se adequando e evoluindo para melhorar as empresas e o mundo como um todo.

Até hoje, a qualidade passou por 4 fases distintas, que chamamos de Eras da Qualidade. Agora, em um tempo de avanços tecnológicos sem precedentes, não poderia ser diferente. E nós estamos testemunhando o nascimento do que muitos já têm chamado de 5ª Era da Qualidade.

E é sobre isso que quero falar no artigo de hoje: sobre a 5ª Era da Qualidade. Para isso, vou fazer uma breve viagem ao tempo, falando sobre as 4 Eras da Qualidade anteriores. Depois chegaremos ao que, provavelmente, será o futuro próximo grande movimento da Gestão da Qualidade no mundo.

Espero que gostem das minhas divagações ao estilo professor de história. E vamos ao texto:

As 4 Eras das Qualidade:

Não pretendo me aprofundar historicamente nesse tópico. Quero apenas explicar de forma sucinta as 4 Eras da Qualidade que vivemos desde de 1900. Se você quiser saber mais sobre o assunto, vou deixar uma indicação bibliográfica no fim do artigo, tudo bem?

Continuando, os quatro momentos mais importantes da qualidade até hoje foram:

Era da Inspeção

Nesse momento, temos ainda um conceito muito “primitivo” de qualidade, com foco extremamente direcionado ao produto. Na Era da Inspeção, o único objetivo era descobrir se o produto estava sendo fabricado de acordo com que foi planejado. Os métodos utilizados pela qualidade eram a inspeção física (manual) do produto em conjunto com a utilização de instrumentos de metrologia.

Nessa era, 100% da produção era inspecionada. Porém, é importante ressaltar que, por muito tempo, somente o produto acabado era inspecionado. Por isso, os níveis de retrabalho e desperdício (refugo) eram extremamente altos. Podemos dizer que, aqui, a única preocupação era não deixar que produtos fora do padrão saíssem da fábrica.

Era do Controle Estatístico da Qualidade

Aos poucos, iniciou-se a adoção de pontos de verificação intermediários (nas etapas internas do processo), bem como ocorreu um aumento considerável da produção. Dessa forma, a inspeção integral da produção começou a tornar-se inviável e falha.

Com isso, por volta de 1940, iniciam-se estudos que tem como objetivo realizar essa inspeção de forma estatística. Somente 20 anos depois esses estudos se consolidam e tornam-se boas práticas seguidas por grande parte das empresas. Assim, na 2ª Era da Qualidade (décadas de 1960 e 1970), apenas parte da produção era inspecionada, substituindo a inspeção pela amostragem. Agora, o foco não era mais o produto em si, mas sim o processo que o produzia.

Essa era foi particularmente importante pois nos ajudou a entender que há certa estabilidade no processo. Assim, é possível identificar os problemas e agir para evitar que eles ocorram. E com isso, a qualidade deu um novo salto, entrando na:

Era da Garantia da Qualidade

Com o controle estatístico de processos evoluindo, começou-se a identificar melhor o que causava os problemas nos processos e os defeitos nos produtos. Com isso, percebemos que não só a linha de produção afetava a produção.

Nesse momento, todos os processos e aspectos que afetam a qualidade são levados em conta. Fornecedores passam e integrar a “conta da qualidade” e temos uma visão mais ampla, e real, do processo de produção. Surge então o conceito de “cadeia de valor” e a 3ª era da Qualidade: foco no sistema de gestão, visando fazer com que ele garantisse a conformidade do produto.

Era da Gestão da Qualidade Total

Enquanto os meios de produção eram poucos e centralizados, havia pouca preocupação com o mercado. Porém, com o aumento das fábricas e com o mercado cada vez mais exigente, entra em cena, após a década de 80, o mais importante dos elementos: o cliente!

Na 4ª Era da Qualidade, o SGQ deixa de ser uma preocupação do “chão de fábrica” e adentra a estratégia das empresas! A partir daqui a Qualidade ocupa papel de destaque nas empresas, mas não é o foco delas, pois o foco passa a ser o cliente e as necessidades e expectativas dele!

Agora, já não basta garantir a conformidade do produto com o planejado. É preciso garantir a conformidade de acordo com o que o cliente almeja. Por isso, a Qualidade torna-se estratégica, levando as organizações em direção aos clientes.

O que vem depois?

Até aqui, conseguimos perceber que a Qualidade evoluiu gradativamente. Essa trajetória é importante para entendermos como nossa sociedade evoluiu e qual legado, atualmente, nós estamos carregando. Até hoje, colhemos os frutos do trabalho de pessoas geniais, como Walter Shewhart, Philip Crosby, Kaoru Ishikawa, Armand Vallin Feigenbaum e muitos outros.

Agora, estamos passando por uma nova reviravolta, em que os computadores, máquinas e sistemas estão revolucionando os meios de produção. E, assim como os grandes nomes do passado, precisamos garantir que a Qualidade esteja a frente dessa revolução.

A 5ª Era da Qualidade

Mesmo hoje, muitas vezes, a Qualidade fica presa em um ciclo de controle infinito, no qual a coleta e análise de informações acaba ocupando o lugar da tomada de decisões e do direcionamento estratégico. Porém, isso está com os dias contados! Pois, acredito eu que, em não muito tempo, todo trabalho realizado para alimentar o sistema de informações da empresa será automatizado. Afinal, com o avanço da Indústria 4.0, a Qualidade 4.0 também já é uma realidade

Ainda hoje, atuamos de forma reativa no Sistema de Gestão da Qualidade, identificando o que está não conforme e atuando para corrigir isso. Porém, com a integração de sistemas de gerenciamento mais eficazes e com a utilização de I.A.s (inteligências artificiais) na análise de dados, passaremos a atuar preventivamente. Conseguiremos prever quando e como as falhas irão acontecer e, ao invés de lidar com as consequências, evitar que os problemas aconteçam. Eu sei, esse é o sonho de qualquer gestor, seja da qualidade ou não. Não é mesmo?

Estratégia: o papel da Qualidade na próxima Era

A meu ver, cada vez mais, a Qualidade se aproximará da estratégia da empresa. Conforme atividades manuais (como a atualização de planilhas) forem sendo extintas do SGQ, mais será exigido do profissional da qualidade no nível estratégico.

Quais ações serão necessárias para mudar os resultados dos indicadores? Quais mercados nossa empresa precisará participar? Quais mudanças os produtos e processos precisam para atender melhor às necessidades dos clientes? Quais fatores internos ou externos estão influenciando no processo e nos resultados das empresas?

Perguntas como essas do parágrafo anterior, que já fazem parte da rotina de alguns profissionais da qualidade, se tornarão o foco principal da Qualidade. Dessa forma, com o altíssimo nível de automação e da integração das informações que serão coletadas, o conhecimento e a capacidade de tomar boas decisões tende a ser, cada vez mais, o Futuro da gestão da Qualidade.

O profissional da qualidade será um evangelizador

Outro papel que deve (e vai) se intensificar é o de Evangelizador da Qualidade! Calma, se você não é nosso leitor e não entendeu, eu explico. O Jeison escreveu um artigo (que depois virou podcast) em que ele diz que todo gestor (analista, assistente, assessor ou seja lá o que for, até mesmo o estagiário) da qualidade é (ou deveria ser) um evangelizador, ou seja, alguém que literalmente prega a Qualidade dentro da empresa.

E isso quer dizer que o engajamento das pessoas é sim responsabilidade de quem trabalha com Qualidade!

Essa é uma das maiores dificuldades que o pessoal enfrenta, descobrimos isso em uma pesquisa que fizemos no blog. E como, hoje, o profissional da Qualidade precisa atuar em várias atividades de coleta e consolidação de dados, esse trabalho acaba ficando um pouco de lado.

Porém, com a automação de atividades que não agregam valor, o gestor da qualidade será cada vez mais um dos líderes da cultura organizacional. Responsável por garantir que:

  • todos entendam o que é Qualidade para a empresa;
  • que entendam que seus papéis no SGQ são fundamentais;
  • que se apaixonem por entregar um produto voltado aos clientes;
  • que todos se responsabilizem por fazerem as coisas acontecer!

(eu sei que parece, ou é, um pouco utópico, mas eu sou um sonhador e realmente acredito que é possível)

Esteja à frente no futuro da Qualidade

No geral, o mercado da Qualidade 4.0 ainda precisa avançar muito. Porém, já existem iniciativas que visam melhorar a gestão da qualidade, transformando rotinas da qualidade em fontes preciosas de informação.

Com o Qualiex, software para gestão da qualidade, é possível não só eliminar as planilhas do SGQ como integrar diversas coletas do banco de dados do ERP da sua empresa. Assim, você garante não só a automatização das atividades como a confiabilidade dos dados. Do mesmo modo, existem várias integrações que possibilitam um sistema de gestão da qualidade mais integrado e rastreável, facilitando a consulta de informações e a tomada de decisões.

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Conheça o Qualiex

Referência bibliográfica

 

Livro: Qualidade: gestão e métodos

Qualidade: gestão e métodos / josé Carlos Toledo … [et al.]. [reimpr.], – Rio de Janeiro: LCT, 2017.

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