Cultura organizacional

A resistência a mudanças e o meu cachorro Chewie

horizontalmente e um avião vermelho subindo na vertical, simbolizando a importância de quebrar a resistência a mudanças.
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Nesse final de semana, um acontecimento banal me fez refletir um pouco sobre resistência a mudanças. Esse é um dos desafios com que todo gestor já teve (ou terá) que lidar alguma vez na vida.

Aqui no blog, recebemos dezenas de mensagens de pessoas querendo saber como tornar as pessoas mais receptivas, mais abertas. Querendo aprender a incentivar a mudança nas pessoas.

Então, vou contar uma pequena história. Uma história que envolve meu cachorro e uma mudança simples, mas inesperada. Antes de falar do assunto em si, vamos à história:

Meu cachorro Chewie

Eu tenho um Shih-tzu. Ele se chama Chewie, por causa do Chewbacca, do Star Wars. Como característica dessa raça, ele é muito peludo. Fator, inclusive, que influenciou no nome dele.

Há umas três semanas, minha esposa o levou no petshop. O plano era que ele tomasse banho e que fizessem uma tosa simples, patas e um pouco do pelo do corpinho. Porque ele estava com uns 10 centímetros de pelo.

Meu cachorro, Chewie, antes do acontecimento que nos trouxe muita resistência a mudanças.

Chewie antes da tosa que me inspirou a escrever este artigo sobre resistência a mudanças.

Quando voltamos para buscá-lo, tivemos uma surpresinha. Digamos que o petshop não levantou direito as nossas expectativas. A tosa, que era para ser uma tosa higiênica, ou seja, apenas reduzir o excesso de pelo; virou uma tosa completa e os 10 centímetros de pelo se transformaram em pouco mais de 1 milímetro. Passaram a “máquina zero” no Chewie.

Nós não gostamos da mudança

De início, eu quase não reconheci meu cachorro. Se não fossem algumas características dele, como as patinhas brancas e uma faixa de pelos, também branca, no pescoço; eu diria que o tinham trocado. Ficamos muito incomodados com a mudança. Parecia que nós não o reconhecíamos, que não era o nosso cachorro. Queríamos ele como era antes.

Hoje, três semanas depois, já estamos acostumados. Nós nem notamos mais a diferença. Não sentimos falta da pelagem e nem nos lembramos do Chewie peludinho. Domingo, eu estava brincando com ele, e só então percebi que os pelos já cresceram quase 1 cm. Me toquei que dentro de alguns meses, ele vai estar exatamente igual ao que era antes do ocorrido. E que dessa vez, nós não iremos nem sequer notar a diferença.

É aqui que eu quero chegar. Estamos falando de 2 mudanças:

  • Na primeira, o Chewie era peludo e ficou “pelado”; nós detestamos. Resistência total à mudança!
  • Na segunda, o Chewie está “pelado” e vai se tornar peludão de novo, uma fofura; mas nós não iremos nem sequer notar.

Sem trocadilhos, mas o que muda nas duas mudanças? Porque odiamos uma e nem sequer notamos a outra?

A resposta é que uma foi repentina e não consentida; enquanto a outra será gradativa e emocionalmente próxima. O Chewie não ganhará 4 dedos de pelos do dia para a noite. Vai ser lento, e vamos acompanhar isso. Dessa forma, quando ele estiver novamente com 10 cm de pelagem, não vamos estranhar. Esse novo visual terá se incorporado a nossa rotina, fará parte dele tanto quanto fará parte de nós.

O que o Chewie tem a ver com resistência a mudanças?

Aqui chegamos ao tema real desse artigo. Afinal, por melhor que seja a sua intenção. Por mais correto que você esteja. Não adianta querer “tosar” os problemas da sua empresa e achar que todo mundo vai achar lindo.

Para que as mudanças sejam bem-aceitas, elas não podem ser:

Repentinas: na quinta-feira à tarde o processo rodava de um jeito, na sexta de manhã há novas regras, novos modos de fazer as coisas. Todo mundo fica confuso, irritado. Mas é claro, são os colaboradores que têm resistência a mudanças…

Não consentida: você não atualizou os procedimentos, não consultou ninguém, não pediu ajuda para ninguém. Ignorou todas as contribuições (ou tentativas de) que as pessoas que trabalham diariamente no processo deram. Talvez, como se não pudesse piorar, não explicou para ninguém os motivos da mudança de processo. Mas as pessoas é que têm resistência a mudanças…

As pessoas são resistentes àquilo que elas não entendem

As mudanças precisam ocorrer paulatinamente, melhorando o processo dia a dia, inclusive para serem mais efetivas. Quando você muda constantemente, consegue ir adequando o caminho, tornando o processo melhor de acordo com o contexto. Do contrário, além da resistência a mudanças, corre-se o risco de não conseguir entender a mudança. Não conseguir medir ao certo a eficácia dela.

Então, se uma mudança for grande demais, vale a pena começar devagar. Conscientizando as pessoas e mudando pouco a pouco. As pessoas precisam entender o que vai mudar, quais os benefícios e motivos. Dessa forma, as pessoas não só irão deixar de ter resistência a mudanças como irão desejar que elas aconteçam.

Quando isso acontece, começamos a ter uma cultura voltada a melhoria. Em empresas em que a cultura está verdadeiramente incorporada, está no sangue na organização, a resistência a mudanças é muito, mas muito menor.

You have the power

Independe de você ter gostado ou não da história do meu cachorro, ou até mesmo do meu texto, o que eu gostaria de mostrar é que a resistência a mudanças tem uma origem. Além disso, pode ser que a raiz nem mesmo seja as que eu apontei no meu artigo. Pode ser que a resistência a mudanças aconteça na sua empresa por outro motivo. Afinal, quantos milhares de contextos diferentes existem? Seria, no mínimo, ingenuidade achar que todos eles têm a mesma causa raiz.

Portanto, você precisa analisar o que acontece na sua empresa. Você tem o poder de agir para que isso não aconteça. Por mais difícil que possa parecer, há meios de melhorar as coisas, mudar e contar com a ajuda das pessoas.

Apenas apontar para as pessoas e dizer que elas são resistentes não vai mudar a realidade. Se a sua empresa é resistente a mudanças, pode parecer irônico, mas as coisas precisam mudar. Toda cultura que realmente melhora passa por mudanças e, talvez, o princípio de tudo seja você. Então, talvez, essa mudança possa (ou precise) começar por você!

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