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Poka Yoke

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Jeison

Jeison

Sou co-fundador da ForLogic Software, hoje atuo com gente, cultura e gestão. Sou um dos criadores do Qualiex, do Qualicast (o 1º Podcast nacional focado em qualidade), criador do Blog da Qualidade (o maior blog sobre Qualidade do Brasil). Mestre em Engenharia da Produção pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), auditor líder formado com orgulho pela ATSG na ISO9001 e 22000, pai, empreendedor, e um inconformado de plantão!
Acredito na responsabilidade do indivíduo, no poder da qualidade e que podemos fazer diferente. Me acompanhe no Linkedin e no Instagram.

Você com certeza já entrou em um carro, e aquele barulhinho “infernal” do cinto de segurança, ficou fazendo pi pi pi pi na sua cabeça, certo? É muito chato não é? Mas o que isso tem a ver com Poka Yoke?

Voltei de um evento em BH em uma quinta feira, um amigo que está no mesmo hotel que eu voltou na sexta logo cedo, saiu do hotel às 5:30 da manhã. Entrou no táxi, centro de BH, bairro tranquilo, não colocou o cinto de segurança, “não lembrou” e começou a conversar com o taxista.

Duas quadras depois o táxi é atingido por outro carro, roda várias vezes, capota, bate em um poste, estoura todos o airbags. Meu amigo me fala ao telefone, eu tinha acabado de colocar o cinto por conta daquele barulhinho infernal. Todos bem, salvos pelo cinto? Sim, mas também, por um Poka-Yoke.

Onde surgiu e por quê?

O Poka-Yoke foi criado no Japão, na Toyota em 1961,  por um engenheiro chamado Shigeo Shingo. Ele se incomodava com a quantidade de erros idiotas que encontrava observando a fábrica, muitas falhas humanas. 

Foi então, que desenvolveu um conjunto de técnicas Baka (idiota em japonês) Yoke (à prova de), podemos traduzir como técnicas que até um idiota possa executar.

Algum tempo depois Shingo achou que  “à prova de idiotas” parecia um pouco ofensivo (eu adoro o termo!). Por isso ele mudou de Baka para Poka (erros), eis então que temos o famoso Poka-Yoke.

Os métodos 

Muito utilizado inicialmente em indústrias e fábricas, de onde surgiu, hoje eu consigo ver poka-yoke em todos os lugares.  A ideia é que ele possibilita uma auto-inspeção de 100% ou seja, que quando usado, quem está fazendo algo consiga perceber sozinho se algo vai dar errado. Shingo em seu livro aponta 2 métodos: 

  • Método de controle: Quando o Poka-yoke é ativado, uma máquina ou mesmo uma linha de processamento para, e assim, o problema pode ser corrigido.

Ou seja, ele interrompe a operação, impede o avanço.

  • Método de advertência: Quando o Poka-yoke é ativado, um alarme soa, ou uma luz sinaliza, visando alertar o trabalhador.

Assim, ele cria um alerta tão estrambólico (isso eu quem disse, não o Shingo) que o cidadão vai ter que corrigir, lembra do alarme do cinto de segurança do começo do artigo?

Qual devo usar?

Essa é uma ótima pergunta! No entanto, a resposta está no seu processo. 

Estabelecer o poka-yoke de controle é poderoso porque ele para o processo até que o que está causando o problema ou defeito seja corrigido. Isso, por mais inconveniente que seja, pode ser fundamental em diversos casos. 

Já o Poka-yoke de advertência atua com alertas para que os operadores possam atuar com o processo ainda funcionando. Sua experiência deve ajudá-lo a criar os Poka-Yokes aderentes a cada etapa do seu processo.

Funções determinantes do Poka-Yoke

Método de contato: Identifica defeitos em virtude da existência (ou não) de contato entre o dispositivo e alguma característica ligada à forma ou dimensão do produto. O famoso encaixa ou não encaixa, passa ou não passa.

Método de conjunto: Determina se um dado número de atividades previstas são executadas. Por exemplo, antes de começar a montagem de uma peça, coloca todos os componentes em uma bandeja. Não pode sobrar um parafuso ali! 

Método de etapas: Determina se são seguidos os estágios ou operações estabelecidas por um dado procedimento. Um checklist, bem visível, que identifica todos os pontos de execução.

E o que eu faço com isso?

Aprenda e aplique nos processos. É comum em clientes que visito, amigos e até mesmo aqui ForLogic, de vez em quando, nos depararmos com um erro ou falha que são comuns, ou recorrentes. Acontecia na Toyota em 1960 e ainda acontece hoje. 

Se ao corrigirmos o erro ou a falha, analisarmos o processo e estabelecermos um poka-yoke para todos os pontos do processo que demandam atenção e são fontes de problemas, é muito provável que os problemas diminuam.

Quando os Poka Yokes terminam?

Nunca! Lembre-se, os processos estão em constante evolução, logo, os poka-yokes devem ser atualizados também. Esse artigo tem por objetivo ser uma fonte e inspiração para você. Uma boa prática é pensar em processos sempre procurando pontos para encaixar poka-yokes.

Processos evoluem, empresas aprendem, e a coisa segue. Os Poka-yokes nunca acabam, quando Shingo começou isso em 1960, eu duvido que ele sequer imaginou que um brasileiro seria salvo por um barulho chato do alarme do cinto de segurança, mas foi o que aconteceu. Graças ao bom Deus, e a um belo Poka-Yoke. 

Obs: Mas esse barulho tem que ser tão chato? Sim, senão você vai conviver com isso e não colocar o cinto. Ele deve ser como é: irritante!

Sobre o autor (a)

5 comentários em “Poka Yoke”

  1. Os carros nos países desenvolvidos já tem a função de você escolher o som que você quer quando apitar. Podendo assim escolher um não tão irritante. Apenas eliminar o aviso não é possível. Gostei da idéia pois não concordo que precise ser um som irritante.

  2. As características que podem afetar a segurança do produto devem ser mapeadas, medidas seu desempenho e analisadas criticamente pela direção da empresa.
    Uma das formas sugeridas para garantir que uma característica não falhe durante sua vida útil é o poka-yoke.

  3. Acho as medidas que o Poka Yoke aplica interessantes para “forçar” uma ação que precisamos garantir que aconteça para evitar determinadas situações. Acho ela de uma forma geral divertida até e com certeza deve ser usada o máximo possível quando possível, pq se podemos evitar uma situação ruim temos que usar sim todas as maneiras possíveis.

    É uma técnica de apoio incrível, mas não minimiza a importância da cultura e da disciplina. Vejo muito pelo próprio exemplo do cinto de segurança, perturba sim, mas mesmo com essa implementação muitas pessoas ainda morrem todos os dias pela falta do uso do cinto. Às vezes me pergunto se implementações como o Poka Yoke não nos tornam de alguma forma mais preguiçosos e desatentos, pois é muito mais fácil esperar que um alarme apite do que assumir a responsabilidade e a obrigação que temos de fazer as coisas de uma determinada maneira. É só uma reflexão mesmo, pois eu mesmo sou adepta de vários Poka Yoke todos os dias XD

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