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Porque abandonar a melhoria contínua

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    Jeison

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    Sou co-fundador da ForLogic Software, hoje atuo com gente, cultura e gestão. Sou um dos criadores do Qualiex, do Qualicast (o 1º Podcast nacional focado em qualidade), criador do Blog da Qualidade (o maior blog sobre Qualidade do Brasil). Mestre em Engenharia da Produção pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), auditor líder formado com orgulho pela ATSG na ISO9001 e 22000, pai, empreendedor, e um inconformado de plantão!
    Acredito na responsabilidade do indivíduo, no poder da qualidade e que podemos fazer diferente. Me acompanhe no Linkedin e no Instagram.

    Sim, é possível que chegue uma hora que você queira abandonar a melhoria contínua. E sim, esse é um caso real que vou contar: eu também decidi abandonar a bendita melhoria contínua.

    Antes, quero reafirmar que melhoria contínua é muito boa, muito importante e pode ser muito eficaz para diversos casos. Entretanto, tem horas, que ela não é mais suficiente. E isso depende basicamente do que você quer.

    Há muitos anos estamos melhorando nossos processos e evoluindo em várias aspectos. Em uma determinada área, nossos processos apresentam indicadores de crescimento de mais de 30% ao ano, por diversos anos. Isso desenha um padrão, um padrão de melhoria implantado que tem garantindo 30% de crescimento.

    Você pode pensar: “Poxa, não está bom 30%?

    E a resposta é: depende do que você quer!

    Acontece que sei que podemos crescer 70, 80 até mesmo 100% ao ano. A melhoria contínua nos coloca em uma marcha, e eu desejo outra.

    Podemos tentar “melhorar mais”, sempre podemos, e não está errado, mas aqui resolvi abandonar a melhoria e optar por outra estratégia mais incisiva. Em uma conversa com um amigo, ele me disse:

    “Veja, vocês estão em um ritmo de melhoria, você precisa de um salto”

    Faz todo sentido, podemos continuar melhorando, mas para crescer 100% vou levar 3 anos, e penso que podemos conseguir isso em 1, no máximo um ano e meio. Mas para isso, vamos ter que parar de fazer as coisas do modo como fazemos e inventar um novo jeito, romper com nossos métodos atuais, criar novos.

    Não vamos mais melhorar, vamos promover uma ruptura!

    Sim, dá muito medo.

    E como fazer isso?

    É claro que não vamos começar amanhã a fazer algo diferente, na verdade, a solução já foi muito debatida por aqui, temos vários indícios do que podemos mudar, mas faltava uma virtude: CORAGEM.

    Agora é hora de deixar algumas coisas mais claras, principalmente ONDE VAMOS CHEGAR, qual o número a ser perseguido, não é mais 30%, é algo muito maior, 70% talvez 80%. NOSSA HIPÓTESE é: vamos dar um grande salto e, para isso, precisamos mudar várias coisas, então começamos o planejamento. Sabemos dos desafios, inclusive de alguns problemas que vamos ter, mas vamos encarar de frente, e vamos NOS PREPARAR para isso! Não é porque é uma ruptura que precisa ser desorganizada.

    Trouxemos especialistas para nos ajudar, COMPETÊNCIAS DE FORA podem sim contribuir. Afinal queremos mudar absolutamente tudo, e isso é novo até para nós. Precisamos ENVOLVER TODO O TIME, e validar com a diretoria: teremos algumas turbulências, mas sabemos que o destino compensa.

    Temos que abandonar a Paralisia (lembra da PAPPENA?) e partir para a ação, principalmente aceitar que vamos ter que PARAR DE FAZER, algumas coisas, para realizar ALGO NOVO.

    Por fim, precisamos saber que NÃO VAI SER FÁCIL!

    Existem riscos?

    Existem muitos riscos, por todos os lados. O principal é o da não adequação da equipe. Sabemos fazer de uma boa forma, que funciona (afinal, crescemos mais de 30% ao ano) e agora vamos abandonar isso. Algumas pessoas podem não se adaptar.

    Outro risco é nossa hipótese estar errada e 30% ser o nosso limite. E com isso, vamos comprometer um ano (na melhor das hipóteses, 6 meses) de trabalho. Claro que pode acontecer.

    Mas todos esses riscos estão no radar, e mitigamos muito quando temos especialistas nos apoiando e o time unido pela mudança.

    Os benefícios

    Quando atingirmos nosso objetivo teremos dado um verdadeiro salto, e isso é muito melhor que melhorar.

    Outro benefício é um NOVO DESAFIO a ser superado, e ele traz junto a mudança, tão amada e odiada. Todos gostamos da nossa zona de conforto, mas um projeto como esse vai tirar todo mundo da sua e isso é maravilhoso.

    É aquele frio na barriga, um passo no caminho de algo novo. É a excitação que o desconhecido promove e a certeza de que é uma briga das boas para lutar.

    Por fim, a UNIÃO DO TIME envolvido em fazer algo fora do comum. Sei que todos querem se superar, e esse será um projeto para isso.

    E será que vai? Acredito que sim!

    Claro que esperamos ter êxito no que vamos fazer, nunca abrimos um projeto desses para o fracasso.

    Tenho boa convicção do sucesso, e sei dos desafios, mas conheço os envolvidos e sei que temos habilidades para ajustar o projeto durante o seu curso, caso algo saia do planejado.

    Então, a melhoria contínua não serve pra nada?

    Eu nunca disse isso, e nunca vou dizer. Ela é sensacional! Inclusive, foi ela que nos trouxe até onde chegamos hoje; foi ela que nos possibilitou vislumbrar a hipótese de um salto maior, de uma ruptura!

    E digo mais: assim que esse projeto performar, vou trabalhar muito para implantar a melhoria contínua novamente, agora crescendo o indicador acima dos 60%!

    Mas algo me diz que, algum tempo depois, vamos procurar novos saltos. 😉

    Sobre o autor (a)

    11 comentários em “Porque abandonar a melhoria contínua”

    1. Jeison, acredito que a melhoria contínua nao é uma linha que vai subindo aos poucos . Concordo que sim, as vezes e preciso avançar mais em menos tempo e é preciso dar um salto. Ainda assim, eu vejo tudo isso como Melhoria Contínua mesmo. Em determinadas situações até botar o pé no freio é uma melhoria. muito bom esse inconformismo. Por quê não tentar? Sucesso sempre a todos!

      1. Muito legal Michelly, entendo sua visão como melhoria, minha visão é um pouco diferente, penso que quando fazemos uma ruptura, é algo novo, não é melhoria. (claro, deve melhorar) mas olho como outro olhar. Obrigado por estar por aqui comentando! grande abraço!

    2. Olá Jeison !
      Pelo que entendi a ruptura proposta seria conseguir um salto nos resultados, é isto ? Mas veja que a melhoria contínua não está atrelada a
      uma condição de performance e sim a um modelo de pensamento, uma forma de.colocar dentro do dia a dia a busca da melhoria e não somente em “forças-tarefa”. Ainda que você melhore 100% de uma só “tacada”, estará praticando a melhoria contínua !!

      1. Olá André, tudo bem?
        Tanto você quanto o @disqus_RAteIVAmqt:disqus trazem um argumento similar, de que se estamos melhorando, é melhoria contínua. Compreendo, e respeito a visão. Eu porém, não vejo dessa forma. Meu ponto é que nossas ações de melhoria, vão parar, para uma fazermos algo novo, diferente, que espero que dê resultados. Mas não vamos analisar indicadores, e ver o que precisamos melhorar para o próximo ano, e sim, partir de uma nova hipótese, para um cenário futuro.

        Quando falo de abandonar a melhoria contínua, é : vamos mudar tudo. E isso pode simplesmente dar errado ou dar certo. Isso é uma ruptura, claro que o “espirito de melhoria contínua” continua aqui, estamos sim buscando a excelência, mas não é através de melhoria e sim de algo novo.

        1. Olá Jenson ! Tudo bem obrigado é você ?
          Realmente sinto dificuldade em enxergar a ruptura ! Numa linguagem mais figurada é como se estivessemos dirigindo um carro a 50Km/h e decidimos trazer um excellente piloto que agora trará suas experiências e habilidades e passará a dirigir a 150Km/h. Foi um grande salto, mas dirigindo o mesmo carro.
          Ruptura nos remete a entender profundamente os conceitos com os quais queremos romper para daí sim propor algo novo que crie uma ruptura de fato.
          Perceba que em sua estratégia de implementação da ruptura o bom e velho PDCA se faz presente.
          Respeito sua busca por novos formatos, queremos sempre por a nossa capacidade de enxergar o todo a serviço de sistemáticas que agreguem valor, mas só reveja os fundamentos com os quais quer romper e chegue a o veredito final.
          Ainda mais sucesso,
          Grande abraço

          1. Cara, tudo bom?
            É por aí mesmo, vou seguir sua linguagem figurada.
            Estamos a 50km, e a 4 anos contratamos novos pilotos, treinamos os atuais, e turbinamos os carros, já chegamos a 100km/hora, só que agora, esse ano, a ruptura é: Os pilotos vão fazer outra coisa, e “tragam o meu balão”, que nós vamos voar.

            A ruptura é essa, vamos fazer tudo novo.

            O PDCA estará presente, mas nós não vamos usar como ponto de partida, o estado atual dos processos, vamos inventar algo alternativo a ele. Claro que aprendemos com o que vivemos nos anos anteriores, mas eles não serão direcionadores do trabalho.

            Claro que se não tivermos #disciplina, nós vamos acabar voltando para a bendita melhoria contínua, e esse trabalho de cuidar para que a ruptura aconteça, vai rolar por aqui.
            Ótima essa discussão contigo heim! valeu!

            1. O prazer foi todo meu !
              Só não esqueça de certificar-se que realmente precisa voar ! Pode correr o risco de gastar com o balão e somente precisava um carro andando a 75Km/h !!
              Grande abraço

    3. Qualquer mudança que promova um resultado positivo, compreendo como melhoria contínua, a diferença é de quebrar um padrão para buscar algum tipo de inovação. Seja como for, é melhoria contínua na íntegra rs.

    4. Desculpe. Mas este Post, este post exatamente tem o propósito de querer mudar, por mudar. Vaidade de seu interlocutor? Não sei. Mas desnecessário este Post.

      Climas, culturas e políticas das organizações que aderem melhoria contínua é ponto chave quem quer chegar no TOPO de sua missão.

      1. Fala Leonardo, tudo bem?
        Olha, eu sou o “interlocutor vaidoso”, e até li novamente o artigo pra ver porque te passei essa impressão.

        Vamos ao caso, não temos propósito de mudar por mudar, temos o foco em: promover uma ruptura. Sim, essa ruptura foi “decidida” por mim, pode ser meu egocentrismo mesmo (o ego é algo sempre atrapalha!), mas conversei com muita gente antes de promover isso.

        Escolhemos a ruptura, porque achamos que era a hora certa.
        Inclusive, hoje 6 meses depois, nossa, quantas mudança, muita coisa deu certo, muita coisa deu errado, mas eu não consigo imaginar a gente, no ritmo e no modelo que estávamos antes. Está muito mais legal!

        Sobre o post ser desnecessário, não sei. Penso que é um olhar diferente.
        Quando falamos de abandonar um ritmo de melhoria contínua, todos se assustam, nós mesmo, tivemos pontos negativos nessa transição, mas tivemos muitos pontos positivos também.

        É um outro olhar, pode não ser o seu, mas penso que ele é importante sim.
        Pela quantidade de pessoas que “se incomodaram” com o texto, tenho convicção que ele é necessário. Hoje estamos todos (inclusive eu) mais propensos a ler, ouvir, assistir coisas que estejam nas direções que já conhecemos, e todo o desconhecido é combatido. Será que isso é uma boa ideia?

        Último ponto, eu não trabalho para chegar ao TOPO, ou ser o NÚMERO 1, eu trabalho para cumprir o nosso propósito, seguindo nossos valores. Por isso, temos uma cultura (climas, políticas, ritos, estratégias e métodos) que nos conduzam para isso… e como está no texto, já utilizamos a melhoria contínua e vamos utilizar de novo, mas este momento, é um momento de ruptura.!

        Um forte abrço, obrigado por escrever, adorei que você me chamou de “Interlocutor vaidoso” 🙂

    5. Pingback: Melhoria contínua – 5º Princípio de Deming - Blog da Qualidade

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