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Qualidade na Saúde: Programa de Cirurgia Segura

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Todos nós estamos propensos a passar por uma cirurgia ou procedimento invasivo¹, portanto entendo ser de suma importância, que mesmo não sendo profissional da área da saúde, conheçamos os nossos direitos para termos a garantia que estaremos sendo contemplados no Programa de Cirurgia Segura, obrigatória em todos os hospitais públicos, particulares ou filantrópicos.

Cirurgia Segura contempla medidas adotadas para redução do risco de eventos (danos ao paciente) que podem acontecer antes, durante e após as cirurgias. O resultado esperado é mais segurança ao paciente com menos chance de erros assistenciais.

Uma estatística comprova que, nos Estados Unidos, entre 40 e 100 mil pessoas morrem anualmente por causa dos erros nos processos assistenciais durante a cirurgia. Além do que, a cada 4 pessoas internadas, uma sofre algum evento por complicação pós cirúrgica, aumentando para 7 milhões de pacientes cirúrgicos com problemas críticos, desses, aproximadamente 1 milhão morre imediatamente após a cirurgia. É assustador!

Para conter esse número absurdo e crescente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, onde recomenda aos países, maior atenção à segurança do paciente. Assim foi desenvolvido um check list que deve ser aplicado a todos os pacientes cirúrgicos (TIME OUT).

O Time out é uma pausa antes da indução anestésica e incisão cirúrgica para verificação de todos os itens necessários para uma anestesia ou cirurgia segura estão disponíveis. O check list é conduzido pela equipe de enfermagem junto à equipe médica.

Conheçam os itens da Cirurgia Segura que são contemplados pela OMS e que devem ser seguidos e para cada item deve ter protocolos assistenciais de segurança implementados:

  1. A equipe irá operar o paciente certo e no local certo;
  2. A equipe usará métodos embasados cientificamente para prevenir danos na administração de anestésicos;
  3. A equipe reconhecerá efetivamente e se preparará para o risco de perda de via aérea ou de função respiratória;
  4. A equipe reconhecerá efetivamente e se preparará para o risco de perda sanguínea elevada;
  5. A equipe evitará a indução de uma reação alérgica ou adversa de drogas (medicamentos) para os quais o risco ao paciente é conhecido;
  6. A equipe usará métodos conhecidos para minimizar o risco de infecção de sítio cirúrgico;
  7. A equipe impedirá a retenção inadvertida de instrumentos ou compressas em feridas cirúrgicas;
  8. A equipe garantirá e identificará com precisão todos os espécimes cirúrgicos
  9. A equipe comunicará e trocará informações críticas para a condução segura da cirurgia;
  10. Hospitais e sistemas de saúde pública estabelecerão vigilância de rotina da capacidade de cirúrgica, dos volumes e resultados.

Nesse programa da OMS para garantir a segurança em cirurgias e contemplar os 10 itens acima, devemos verificar itens essenciais do processo cirúrgico. O objetivo é garantir que o procedimento seja realizado conforme planejado, atendendo aos “5 Certos”: paciente, procedimento, lateralidade (demarcação do lado e membro a ser operado), posicionamento e equipamentos.

Para garantirmos os “5 Certos”:

PACIENTE: Deve-se instituir e assegurar a Política ou Programa de Identificação do Paciente

PROCEDIMENTO: Deve-se instituir e assegurar a implementação de protocolos, embasamentos científicos e boas práticas;

LATERALIDADE: Deve-se instituir e assegurar a prática internacional destinada a cirurgias e outros procedimentos invasivos¹ em que a necessidade da escolha de um lado, por exemplo, um braço direito. Ela deve ser feita antes do encaminhamento do paciente ao centro cirúrgico.

POSICIONAMENTO: Seguir metodologias de posicionamento embasadas cientificamente de acordo com cada tipo de cirurgia;

EQUIPAMENTOS: Assegurar que existe um estoque mínimo de equipamentos, materiais e insumos e que todos estão validados pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), além de ter um Serviço de Engenharia Clínica que garanta as manutenções preventivas e corretivas desses equipamentos.

Existem várias políticas, protocolos e boas práticas que devem ser seguidos para garantir a Cirurgia Segura, entre eles se destacam:

  • Identificação correta do paciente;
  • Comunicação efetiva;
  • Uso seguro de medicamentos;
  • Prevenção do risco de infecções;
  • Prevenção do risco de queda;
  • Prevenção de flebite;
  • Prevenção de úlcera por pressão;
  • Extubação acidental;
  • Transporte seguro inter e intra hospital

Lembrando que alguns desses protocolos atendem ao paciente pós cirúrgico, pois o Programa de Cirurgia Segura contempla o antes, durante e pós cirurgia (incluindo alta do centro cirúrgico).

A Gestão da Qualidade na área da saúde deve assegurar que esses procedimentos estejam aplicados, mensurados e tratados com o objetivo de melhorias contínuas voltados à segurança do paciente.

No próximo post complementarei esse texto com o Programa de Parto Seguro.

¹ Procedimentos invasivos são aqueles que provocam o rompimento de barreiras naturais ou penetram em cavidades do organismo. Ex.: punção venosa e cirurgias.

Procedimentos não invasivos são os procedimentos que não envolvem instrumentos que rompem a pele. Ex.: radiografia, exame oftalmológico padrão, tomografia, ressonância, holter, etc.

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