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O eixo social do ESG

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Edson Silva

Edson Silva

Cofundador da EDX Consultores, responsável pelos produtos da área de Estratégia & Gestão e de Gestão. Atua há mais de vinte e cinco anos como consultor, desenvolvendo projetos junto a organizações dos segmentos de serviços (com destaque para as áreas de saúde, educação e logística), industrial (empresas dos ramos automotivo, eletroeletrônico e metalomecânico), do agronegócio, do saneamento básico e da mineração, apoiando-as na implantação de ferramentas de Gestão Estratégica (Planejamento Estratégico, BSC e Gestão do Conhecimento, entre outros).

O eixo social: a essência do ESG como “licença social para operar”!

De acordo com o Instituto Ethos:

“a licença social para operar não é prevista em lei, não está escrita em um papel e não prevê penalidades legais. Diferentemente da licença prévia, licença de instalação e licença de operação, antigas conhecidas do mundo empresarial, a licença social muitas vezes é esquecida pelas organizações, justamente por não fazer parte de um rito formal, normatizado”

(conforme site www.ethos.org.br, visualizado em 04/04/2022). Ela é muito bem representada pelo eixo social do ESG, mas não se restringe a ele, tendo relação direta com os outros dois eixos.

Até pouco tempo atrás, a gestão das organizações baseava-se em temas quase que exclusivamente econômico-financeiros. Atualmente o foco precisa ser outro: a licença social para operar precisa ser explicitada, dentro de uma sociedade cada vez mais interligada e interdependente. Nesse contexto, é certo que o segundo pilar social do ESG tem papel tão estratégico quanto os demais, embora seja o menos difundido nesse contexto (e também o menos conhecido).

Mas afinal de contas, o que é o eixo social do ESG?

Em uma definição bem simples, o eixo social do ESG compreende as relações com as Partes Interessadas pertinentes, dentro e fora da organização!

De fato, esse eixo trata desde a relação com as Partes Interessadas internas (exemplos: colaboradores, com foco no capital intelectual; diversidade e inclusão; saúde e segurança ocupacional (SSO) – próprios e de terceiros) até com as externas (relacionamento com agentes do entorno da organização, tais como: clientes e fornecedores, Governo e suas instâncias, comunidades, entidades de classe, sindicatos e outros representantes da sociedade organizada).

Em função dessa abrangência, temas como os impactos sociais da atuação de cada organização e os Direitos Humanos precisam ser endereçados, não deixando de lado questões voltadas ao bem-estar e à saúde (nos dias de hoje, inclusive a mental!) dos colaboradores.

Diferentemente do eixo ambiental, que tem seu enfoque traduzido em padrões como, por exemplo, as normas da família ISO 14000, pode-se dizer que o eixo social não é tão bem estruturado em termos de padrões normativos de adoção voluntária.

Embora existam normas que tratem de temas específicos (ISO 45001, com relação à gestão de SSO, a NBR 16001, sobre Responsabilidade Social, e outros padrões), a diversidade de subtemas neste eixo é muito grande.

Vamos tentar abordar os principais aspectos deste eixo, mas sem a pretensão de esgotar o assunto em um único artigo. Quem desejar se aprofundar no tema encontrará vasto material na Internet.

O principal desafio: identificar e estabelecer as condições de contorno na relação com as Partes Interessadas pertinentes!

Não há organização sem pessoas, nas suas várias acepções: acionistas, clientes, colaboradores, fornecedores, sociedade, comunidades e governos, entre outros.

Como falamos de pessoas, temos que abordar comunicação, diálogo, entendimento; em última análise, devemos compreender as necessidades e expectativas das Partes Interessadas que sejam pertinentes à organização e seu ambiente de negócios.

Dessa forma, abordar o eixo social do ESG significa definir temas de interesse, para que o entendimento dessas necessidades e expectativas agregue valor à relação da organização com seu ambiente de negócios.

Note bem: não se trata de a organização “achar que sabe” quais são as demandas sociais da Partes Interessadas, ela tem que, além de compreendê-las de fato, alinhar, obter consenso, negociar, desenvolver e pesquisar sobre tais demandas, estruturando sua atuação pautada pelo equilíbrio entre o seu atendimento e os resultados do negócio.

Simples, não é?

Sim. Até que é simples de entender. Mas como fazer acontecer?

Definição básica: o relacionamento com as Partes Interessadas pertinentes precisa ser parte do modelo de negócio da organização!

Um conceito de que eu gosto muito é o do “capitalismo de stakeholders”, que nada mais é do que “uma forma de capitalismo em que as empresas não apenas otimizam os lucros de curto prazo para os acionistas, mas buscam a criação de valor de longo prazo, levando em consideração as necessidades de todos os seus stakeholders e da sociedade em geral” (conforme definição contida no site www.cebds.org, visualização em 04/04/2022).

Ao compreender esse conceito, a organização precisa necessariamente definir e implementar políticas e objetivos sociais, processos, procedimentos, recursos e estrutura, todos voltados a essa agregação de valor às Partes Interessadas pertinentes. Portanto, mapeá-las é o ponto de partida para o atendimento ao eixo social do ESG.

Tudo gira em torno do relacionamento!

A construção de um processo de gerenciamento do relacionamento de uma organização e suas Partes Interessadas pertinentes é, em última instância, o direto atendimento de um dos quatro princípios da Governança Corporativa: a equidade.

Conforme definido no site do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) – www.ibgc.org.br, equidade “caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas” (visualização em 04/04/2022).

Além disso, o gerenciamento do relacionamento também está relacionado aos outros três princípios de Governança Corporativa: transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa (ou accountability, em inglês); mas isso é tema para o nosso próximo artigo.

O gerenciamento do relacionamento como ferramenta no âmbito do ESG, precisa necessariamente disponibilizar espaços para discussão, consenso e definição de objetivos concretos, com foco em resultados palpáveis.

Esses espaços podem levar a (mas não se limitam a) apoiar a implementação de mudanças, ferramentas de gestão, estrutura funcional adequada e estabelecimento de procedimentos no âmbito da organização, tudo isso em nome da transparência de suas relações e sempre em alinhamento com sua Estratégia (assim mesmo, no singular e com “E” maiúsculo).

Uma vez identificados primariamente os temas de interesse da relação com suas Partes Interessadas pertinentes, a organização deve se comprometer com seu atendimento, estabelecendo os papéis e as contribuições de cada parte nessa relação.

O equilíbrio dos temas de interesses é fundamental para atingir a sustentabilidade, já que o relacionamento se dá nos vínculos que se estabelecem quando se toma a decisão de atender ao eixo social do ESG.

Como forma de viabilizar esse equilíbrio, devem ser estabelecidos, implementados, monitorados e aprimorados os canais de comunicação e resposta apropriados a cada grupo de Partes Interessadas e suas demandas.

Pegada social na veia!

Estabelecidos os canais de comunicação e resposta, a organização deve determinar os impactos sociais advindos da interação com cada um dos grupos de Partes Interessadas pertinentes, endereçando temas fundamentais como, por exemplo, o atendimento a requisitos legais, o combate à pobreza e à desigualdade social, a atenção a mudanças demográficas não voluntárias, as novas tecnologias disponíveis para o alcance das políticas e dos objetivos sociais (como redes sociais e outros canais digitais) e a disponibilidade de recursos, em alinhamento com a cadeia de valor do negócio.

O tratamento adequado desses temas fundamentais irá detalhar os desafios sociais que a organização enfrentará: onde estão e quais são as necessidades de mitigação de impactos sociais adversos, bem como as formas de aproveitamento dos impactos sociais positivos, levando a oportunidades de aumentar sua competitividade a partir de ganhos sociais efetivos.

Atenção especial para as pessoas de dentro da organização

Como uma das primeiras Partes interessadas pertinentes, as pessoas formam o capital humano da empresa, representado pela somatória das individualidades de cada colaborador e sua capacidade de interagir e trabalhar em equipes.

Parte fundamental do relacionamento com seus colaboradores, o processo de recrutamento e seleção é a porta de entrada que assegura que a organização consiga contratar mão de obra a partir de uma variedade de fontes de oferta e de perfis e que haja alinhamento com sua Estratégia.

No entanto, uma boa forma de atração de pessoas adequadas à orientação da organização não é suficiente. Há que se desenvolverem políticas e ações que, a longo prazo, assegurem que a mão de obra tenha conhecimentos, qualificações e experiências adequadas às funções e ao cumprimento da Estratégia.

Outra parte fundamental ligada a pessoas é a diversidade. No contexto social, a diversidade é “a convivência de indivíduos diferentes em relação à etnia, orientação sexual, cultura, gênero etc., em um mesmo espaço”, conforme definido no site www.gupy.io/blog/significado-de-diversidade (visualizado em 04/04/2022).

Uma das grandes contribuições da diversidade é seu papel no desenvolvimento do ambiente de trabalho e com relação à inclusão. Nesse contexto, a composição da equipe deve ser diversa em termos de idade, identidade de gênero, orientação sexual, deficiências, raça, cor, nacionalidade, etnia, religião ou crença, bem como as características econômicas, sociais e culturais, facilitando a inclusão dos diversos grupos de pessoas.

Consequência direta da diversidade, a inclusão é a prática de envolver todas as Partes Interessadas pertinentes no contexto da organização, buscando ampliar seu senso de pertencimento e de forma alinhada aos conhecimentos e habilidades de cada um.

Por sua vez, o tema da saúde e segurança ocupacional tem, em última análise, o papel de assegurar o bem-estar físico, mental e social dos colaboradores e a prevenção de perigos e danos à sua saúde relacionados a seus postos de trabalho, incluindo necessidades fisiológicas e psicológicas desses colaboradores.

Responsabilidade Social

De acordo com a Wikipedia (consulta realizada em 05/04/2022), Responsabilidade Social é “o conjunto amplo de ações que beneficiam a sociedade e as corporações que são tomadas pelas empresas, levando em consideração a economia, educação, meio ambiente, saúde, transporte, moradia, atividades locais e governo. Essas ações otimizam ou criam programas sociais, trazendo benefício mútuo entre a empresa e a comunidade, melhorando a qualidade de vida dos funcionários (…) e da própria população”.

Ufa! Dá até para perder o fôlego!

Por tudo isso, a Responsabilidade Social de uma organização deve ser pautada por um comportamento ético e transparente, que contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive quanto à saúde e ao bem-estar da sociedade, tomando-se como base as necessidades e expectativas das Partes Interessadas pertinentes, bom como a legislação aplicável ao seu negócio.

Nesse contexto, ações ligadas ao voluntariado e à destinação de recursos da organização para sua execução, são parte das possíveis frentes de trabalho, com planejamento, implementação, monitoramento (e medição de resultados concretos!) e melhoria contínua desse conjunto de ações.

Importante: não confundir voluntariado com doações e ações de benemerência!

Direitos Humanos

Também de acordo com a Wikipedia, Direitos Humanos são “direitos básicos de todos os seres humanos”, necessários para que possam exercer sua cidadania de forma plena.

A Carta Internacional dos Direitos Humanos e a Declaração dos Princípios e Direitos Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho são exemplos de declarações que tratam do tema.

As organizações, percebendo ou não, lidam diariamente com este tema, quer seja por já estarem incorporados em legislações e outras obrigações, quer seja porque a sociedade interage com as organizações de diversas formas.

Uma abordagem ao eixo social do ESG não pode ignorar esse contexto dentro das organizações. Dessa forma, elas devem contribuir para que, dentro de seu ambiente de negócios, sejam respeitados os Direitos Humanos, consolidados em princípios, valores, políticas e padrões. Isso faz com que a organização estabeleça seu posicionamento em relação aos temas pertinentes, incluindo regras e medidas de contenção e as garantias do engajamento e cumprimento de fato.

Conclusão sobre o eixo social do ESG

Em função de tudo o que disse nesse terceiro artigo sobre ESG, seu eixo social é, por definição, o detalhamento da abordagem que deve ser dada aos relacionamentos das organizações com suas Partes Interessadas pertinentes, dentro de um conjunto de regras e ações, que permitem a essas organizações compreender as necessidades e expectativas de cada parte e definir a forma de obter o equilíbrio dos temas de interesses de todos.

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