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Aristóteles e a busca pela excelência

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    Davidson Ramos

    Davidson Ramos

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    Auditor Líder ISO 9001:2015 e autor de centenas de artigos sobre Gestão da Qualidade, sempre acreditei que as pessoas têm o poder de mudar o mundo a sua volta, desde que estejam verdadeiramente engajadas nisso. Por isso me dedico a ajudar as pessoas a criar laços verdadeiros com seu trabalho, porque pessoas engajadas mudam o mundo!

    Ao me propor a falar da busca pela excelência, escolhi um tema um pouco arriscado para o artigo de hoje. Afinal, falar de excelência é uma responsabilidade muito grande. Como se não fosse o bastante, falar de excelência e trazer algo novo é ainda mais desafiador.

    Para piorar, resolvi falar de uma citação de Aristóteles (que na verdade nem é dele) porque foi daí que a ideia surgiu. Há algumas semanas estava em Concórdia, SC, assistindo uma palestra do Clóvis de Barros no evento HOJE 2018. Nessa palestra, o Clóvis falou um pouco sobre a busca pela excelência de acordo com os preceitos de Aristóteles. Pesquisando um pouco sobre isso, cheguei a seguinte citação:

    “Nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito” (Will Durant)

    Se você pesquisar no Google, vai encontrar essa frase, várias vezes, atribuída a Aristóteles. Entretanto, na verdade, ela foi escrita por um filósofo, historiador e escritor estadunidense chamado Will Durant. Ele a escreveu para resumir o pensamento de Aristóteles a respeito da excelência. E daí veio toda a confusão da citação. Mas, voltando ao tema do texto:

    No artigo de hoje, pretendo falar um pouco sobre essa frase. Falar sobre excelência e sobre como ela, se nós realmente estivermos na busca pela excelência, precisa ser o foco de todo um propósito de vida.

    Nós somos o que repetidamente fazemos

    Quando ouvimos a palavra excelência, por vezes sentimos como se ela fosse uma entidade cósmica distante. Como se fosse intocável e complexa demais para ser alcançada. Porém, voltando aos afazeres terrenos, todos os dias, nós executamos diversas atividades. Uma seguida da outra. Umas maiores, mais demoradas. Outras menores, mais vapt-vupt. E por mais que fujamos (ou não), a repetição sempre nos alcança. E esse é o ponto chave: para Aristóteles, é no mundo terreno que mora a excelência.

    O nosso maior erro é achar que a excelência é algo a ser alcançado. Como uma montanha que precisamos escalar até o topo. Não é! A excelência é o mais constante dos processos, não tem fim. Excelência é trabalhar com o máximo de atenção naquilo que você está trabalhando. Fazer “o mais bem-feito possível” aquela atividade rotineira.

    Quando atingimos essa mentalidade, entendemos esse conceito, chegamos a segunda parte da frase:

    A excelência, então, não é um ato, mas um hábito

    Quando entendermos que a excelência precisa ser parte do dia a dia, precisa ser praticada, começaremos a, dia a dia, promover melhorias no que fazemos. Portanto, a busca pela excelência precisa ser um hábito. Algo que procuramos fazer independentemente da ocasião, seja lavando os pratos em casa, interagindo com outras pessoas na fila do banco ou trabalhando nos processos da empresa.

    Sim, é muito difícil buscar excelência em todas as ocasiões. Requer comprometimento consigo mesmo, com os outros. Requer disciplina, persistência, entrega. Requer empenho diário, pois nós só nos tornaremos excelentes enquanto repetidamente buscarmos excelência. O que significa que essa busca nunca acabará. Se você parar de buscar excelência, deixa de ser excelente, é uma relação de dupla dependência, quase de simbiose.

    A busca pela excelência tem de ser uma jornada palpável

    Eu sei, é difícil buscar excelência, e mais: nós vamos falhar repetidas vezes (tenho um currículo enorme de falhas). Qualquer descuido e a excelência volta a ser a entidade cósmica impraticável. E é aqui que a atenção precisa ser ativada.

    Não me lembro a fonte, mas li em algum lugar que a busca pela excelência pode ser baseada em 3 perguntas. Elas são a minha contribuição prática para você. Para que o artigo não fique só no campo filosófico.

    Toda vez que for fazer algo, seja lá o que for, pergunte a si mesmo:

    1 – O que eu preciso começar a fazer?

    Se for uma tarefa, projeto ou processo, você provavelmente encontrará pontos que podem ser melhorados. Coisas que você precisa (ou pode) começar a fazer para ter mais resultados. Se for algo que ainda não acontece, mas precisa acontecer, é ainda mais importante começar! O texto A excelência e a riqueza de fazer malfeito, do Jeison, explica isso de forma mais clara, recomendo.

    2 – O que eu preciso parar de fazer?

    Da mesma forma, conforme vivemos, adquirimos experiência (inclusive com as falhas). Se um processo, projeto ou tarefa não está rodando como deveria ou não está dando resultados, é preciso abandonar velhos hábitos e se lançar ao novo, buscando formas de melhorar. Eu sei que isso parece óbvio, mas as vezes a gente se prende aos próprios hábitos ou à rotina e simplesmente não percebe isso.

    3 – O que eu preciso aprender a fazer?

    Para pôr em prática as duas questões anteriores, será necessário ver aquilo que, por mais óbvio que seja, não conseguimos ver. E para fazer isso, nós mesmos precisamos evoluir, aprender mais e mais até que consigamos enxergar nossos próprios erros e falhas. E acredite, esse passo talvez seja o mais difícil de todos.

    Dê um passo de cada vez!

    Se você encontrar a resposta para pelo menos uma dessas questões, seja na vida pessoal ou no trabalho, sua busca pela excelência já tem o primeiro passo à mostra. E talvez seja um ótimo primeiro passo!

    A excelência é resultado do desejo de ser melhor

    A excelência vem de dentro para fora, como uma vontade avassaladora de tornar o mundo melhor para si mesmo e para os outros. Então, não é possível ficar esperando a empresa melhorar os processos. Agir com excelência não depende de ninguém, de nada. É preciso fazer melhor no agora, do jeito que for, como for. E isso vai puxar outra e outra melhoria.

    Assim como tudo na vida, a excelência só será verdadeira se for um desejo intrínseco. Um desejo que esteja tão arraigado na sua alma que ninguém possa tirá-lo de você. Um desejo tão forte, mas tão forte, que sai do pensamento para se materializar em ação. Mas isso, é assunto para outro artigo.

    Sobre o autor (a)

    15 comentários em “Aristóteles e a busca pela excelência”

    1. Bastante curioso… A excelência é um hábito que está em evolução, ou seja, sempre há uma melhoria.
      Parece estranho: “são repetições não repetitivas”, assim entendi.

      Porém, acho que a motivação vem de fora para dentro. Se fosse de dentro pra fora, seria comodismo.

      Um tema que gostaria de ver [ou ouvir] é justamente sobre a motivação: de dentro pra fora ou de fora pra dentro?

      Grande abraço, Davidson! Mais uma vez, parabéns pela reflexão!

      1. Fala Ronaldo, como vai?

        Cara, isso da motivação é um assunto bem espinhoso, hehe. Mas vou começara refletir sobre isso, se surgir algo relevante escrevo.

        Muito grato pelo comentário! Bom ver você por aqui novamente!

        Forte abraço 😉

    2. Perfeito!
      Usarei este frase em um treinamento que irei elaborar na empresa que eu trabalho, pois as atividades aqui são repetitivas (telemarketing), então, acredito que se encaixa bem rs.

    3. Elisângela Rodrigues

      Resolvi pesquisar se uma frase era mesmo de Aristóteles e achei um belo artigo. Gostei muito. Acho que temos alguns vícios em comum. Abração!

    4. Ainda que esse Will Durant tenha escrito essa frase, mesmo parafraseando uma coisa que NÃO é criação sua. Ele deveria dar os créditos a Aristoteles.

    5. Pingback: Entendendo o porquê da excelência - Blog da Qualidade

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