Cultura organizacional

O que a Lava Jato e o futuro do Brasil têm a ver com qualidade?

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Você pode estar achando esse título estranho e pensando se há relação. Mas você vai entender ao ler esse artigo: no começo vou falar de economia e, no final, relacionar isso com qualidade! Ontem participamos do CEG (Congresso da Excelência em Gestão) organizado pela Fundação Nacional da Qualidade. A palestra da tarde foi de Míriam Leitão, jornalista especializada em economia, que fez uma análise do cenário do Brasil.

Em um de seus slides, Míriam Leitão nos apresentou a visão de que o Brasil funciona em consensos, períodos onde grande parte da população se mobiliza para tratar um tema ou um problema e esforçam-se para vencer esse obstáculo.

Já passamos por três importantes consensos, desde a década de 80.

  • 1985 – Democracia: A luta pelo retorno da democracia, que durou duas décadas e pôs fim a democracia interrompida.
  • 1994 – Estabilização: A luta pela Estabilização econômica do Brasil, depois de 5 planos, 6 moedas, nove zeros cortados e 50 anos de inflação alta e hiperinflação.
  • 2004 – Inclusão: A luta pela inclusão de todos, com a criação de políticas de transferência de renda e o fim do conformismo da população com a pobreza e a desigualdade.

Todos esses movimentos levaram anos ou décadas e foram até o fim, sem volta.

Agora, depois dessas conquistas, nós já estamos vivendo um quarto movimento, que a Míriam chamou de “erga omnes”, palavras do latim que significam “vale para todos”. É o movimento puxado pela Lava Jato, que luta diretamente a favor do fim da impunidade. Ela está totalmente certa, mas eu acredito que vai além disso: esse é um movimento pela moralização e pela ética.

Mais que prender políticos, empresários e poderosos nunca antes presos, para que esse quarto consenso aconteça, é necessária uma caçada aos pequenos delitos, aqueles cometidos dentro de nossas empresas, clubes, casas, ou seja, no nosso convívio.

E aqui entra a qualidade: se estudarmos os modelos modernos de gestão, como ISO 9001, o MEG (Modelo de Excelência em Gestão da FNQ) ou qualquer outro, vamos ver que ética, a responsabilização e o respeito nas relações são os itens chave para o desenvolvimento.

Os sistemas de gestão são pensados dessa forma para que estes valores éticos direcionem empresas, e, como consequência, a sociedade, porque precisamos pensar que um CNPJ, uma pessoa jurídica, nada mais é que um agrupamento de CPFs, de pessoas físicas. Assim, as pessoas que têm a qualidade e a excelência como práticas verdadeiras do dia a dia não pensam ou toleram essa corrupção!

Portanto, a qualidade passa pela honestidade da equipe ou de um profissional, em apontar exatamente os problemas encontrados na auditoria interna por exemplo, ou em pensar que os processos que atenderem o meu departamento devem colaborar como um todo para geração de valor dos clientes, respeitando todas as partes interessadas do processo. A qualidade depende do respeito às outras pessoas e do exercício da meritocracia, colocando fim no apadrinhamento, políticas de compadres e coleguismo dentro da empresa.

Esse movimento depende de pessoas que combatam os pequenos delitos éticos dentro da empresa e deve ser um hábito, para que se espalhe também na vida pessoal de cada um, que levará qualidade por onde passar.

A qualidade tem tudo a ver com o fim da corrupção e rumo a um país mais digno. Acredite: fazer a coisa certa aí na empresa ajuda a melhorar o país que estamos deixando para as próximas gerações.

Se você quiser conhecer mais sobre a Fundação Nacional da Qualidade é só clicar aqui, e para visualizar a página do Congresso de Excelência em Gestão, clique aqui

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