Cultura organizacional

O que meu pai me ensinou sobre Qualidade

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Se você começar a pensar sobre as pessoas que você conhece, você pode concluir que há várias delas que te ensinaram sobre qualidade. Neste domingo, dia 09 de agosto, vamos comemorar o Dia dos Pais, e por isso quero falar um pouco das lições que aprendi com meu pai sobre Qualidade.

Meu pai não trabalha com gestão da qualidade ou com procedimentos e normas, mas hoje, com um pouco mais de maturidade, consigo fazer conexões de coisas que ele me ensinou e valem para qualidade.

Competências

Meu pai sempre foi um grande incentivador dos estudos. Acho que nenhum professor conseguia nos incentivar tanto quanto meu pai. Ele fazia no mínimo 3 tipos de incentivos:

Moral: aquelas 30 mil vezes que eu tive que ouvir o discurso clássico “você precisa estudar para ser alguém na vida”.

Pelo exemplo: quando eu ainda era pequena, meu pai voltou para o ensino médio e só parou de estudar quando concluiu o ensino superior. Era rotina vê-lo estudando até tarde da noite ou nos finais de semana.

Disponibilizando recursos: os recursos financeiros eram importantes, quando precisávamos comprar livros ou coisas do tipo, mas o principal era o recurso tempo! Toda vez que ele separava um tempo para me ajudar na tarefa de matemática, ele me ajudava a avançar nos conhecimentos e me mostrava como o meu aprender era importante para ele.

Tomada de decisão baseada em fatos e dados

Lembro que meu pai queria saber quando tínhamos provas e trabalhos para nos cobrar o estudo. Ele imprimiu uma tabela com os campos: Matéria, Assunto e Data. Deu uma para mim e para meu irmão, e colou em um lugar visível dos nossos quartos. Todo fim de semana ele dava um jeito de ir lá dar uma olhada, assim decidia se poderíamos gastar todo nosso tempo brincando ou não. Eu entendia que aquilo também me ajudaria a lembrar das coisas que eu tinha que fazer, mas meu irmão não preenchia a tabela, o que virava uma boa conversa sobre valores. Além disso ele via nossas notas e coletava os feedbacks das professoras para conseguir nos dar críticas direcionadas e concretas. Mesmo que às vezes ele não pudesse ir à reunião de pais e mestres, ele sempre pedia um relatório do que aconteceu para minha mãe. Por mais que reclamássemos da cobrança, era muito legal ter uma nota alta para mostrar no fim do bimestre.

Bom relacionamento com fornecedores

Meu pai sempre respeitou todos os seus fornecedores. Os funcionários do supermercado, açougue, o leiteiro, o pedreiro, não importa. Ele sempre se esforçava para pagá-los no tempo certo, conversava agradavelmente com eles quando possível, para manter o bom relacionamento. Não conheço alguém que não queira atender meu pai em algum produto ou serviço na cidade, ele sabe ser um bom cliente!

Foco no cliente

Eu, minha mãe e meu irmão éramos os clientes do meu pai. Afinal, ele trabalhava e se esforçava para que sempre estivéssemos alimentados, vestidos e seguros, então sempre buscava alternativas para deixar nossa casa em ordem. Mesmo assim, minha mãe conta história de quando eu tinha 3 anos, mais ou menos, e eu perguntei para o meu pai “nós estamos pobres?, meu pai assustado disse “Por quê?”, eu respondi Não tem bolacha recheada! meu pai riu. Mais tarde ele comprou bolacha recheada e entregou pra mim e disse que, realmente, não éramos ricos, mas que bolacha recheada teria! Pra mim, não ter bolacha recheada era sinal de crise, meu pai ouviu minha preocupação e me tranquilizou quanto aquilo, isso fez com que eu continuasse confiando nele. Foco no cliente.

Eu poderia dar mais exemplos ou contar mais histórias, porém a grande mensagem aqui é que qualidade de verdade não tem a ver apenas com o contexto profissional, está ligado principalmente aos valores. Pessoas fora do campo profissional da qualidade podem nos ensinar lições importantes, como essas que aprendi com meu pai, e que hoje, com grande orgulho posso aplicar no contexto corporativo.

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