Estratégia empresarial

Gestão do Conhecimento (parte 2): Conversão

Imprimir artigo

Já apresentamos aqui no blog a gestão do conhecimento. Agora é preciso então entender a importância da conversão do conhecimento para que possamos evoluir mais no assunto.

Independente de sua forma (tácito ou explícito), todo conhecimento pode gerar novos conhecimentos. O importante aqui é que o leitor conheça como esse processo de criação ou conversão de conhecimento acontece.

O processo é definido de forma brilhante por Nonaka e Takeuchi em 4 tipos distintos de conversão de conhecimento, como apresentado no Quadro 1 e explicados na sequência:

Quadro 1 – Conversão de conhecimento

Socialização: conhecimento tácito para conhecimento tácito

A socialização do conhecimento se dá pela troca do conhecimento tácito entre os indivíduos, onde um aprende com o outro, ou seja, na prática. É basicamente um processo de compartilhamento de experiências.

Explicitação: conhecimento tácito para conhecimento explícito

A explicitação consiste na arte de transformar o conhecimento tácito em um conhecimento explicito e articulável. Segundo Nonaka e Takeuchi (2000) a explicitação é um conceito chave para a criação de conhecimento, por possibilitar a transição do conhecimento tácito para o explicito. Essa conversão se dá principalmente através de metáforas, analogias e modelos onde estes são utilizados para que o novo conhecimento seja claro e de fácil compreensão pelos demais.

Combinação: conhecimento explícito para conhecimento explícito

É um processo de combinação de diferentes conhecimentos explícitos que pode levar a novos conhecimentos. Um exemplo desse tipo de conversão é o ensino, por exemplo, onde o aluno de pós-graduação utiliza-se de conhecimentos existentes combinados para criar um novo conhecimento.

Internalização: conhecimento explícito para conhecimento tácito

Trata da incorporação do conhecimento explícito em conhecimento tácito, que segundo Nonaka e Takeuchi está intimamente ligado a ?aprender fazendo?. Isso ocorre quando os indivíduos utilizam a documentação como instruções, manuais, ou procedimentos para aumentar seu conhecimento tácito. É importante lembrar que para internalizar é preciso reexperimentar o conhecimento explicitado, como é o caso de ?aprender fazendo?. Existe, porém, alguns casos em que é possível ?reexperimentar? as experiências de outras pessoas. Isso pode ocorrer quando lendo ou ouvindo uma história de outros a experiência transmitida possa transformar-se em um modelo mental tácito.

Mas qual a relação disso com a qualidade?

Tem tudo a ver! Já que a qualidade está ligada a melhoria, a informação e conhecimento.

As 4 formas de conversão apresentadas dizem respeito a como o conhecimento é convertido de um estado para outro. A mensagem é: não são apenas os documentos ou registros que são importantes! É válido entender isso para saber que algumas coisas simples como “conversas de corredor sobre o novo fluxograma de trabalho do financeiro” tem um valor claro e lógico do ponto de vista da socialização, por exemplo.

… não são apenas os documentos ou registros que são importantes!

A empresa está o tempo todo criando e convertendo conhecimento. O desafio é tornar essa mecânica de gestão do conhecimento o mais proveitosa possível, com métodos testados e formais, mas sem perder a flexibilidade e o toque pessoal que torna cada conhecimento especial. É um grande desafio, mas que deve ser encarado pela empresa que pretende promover o conhecimento.

Vamos continuar o debate sobre gestão do conhecimento aqui, e em breve vamos abordar a espiral do conhecimento e sua dinâmica na utilização das conversões de conhecimento apresentados aqui.

NONAKA, I; TAKEUCHI, H. Criação de Conhecimento na Empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

NONAKA, I; TAKEUCHI, H. Gestão do Conhecimento. Porto Alegre: Editora Bookman, 2008.

Autor

Comentários

Posts Relacionados

← Post mais recente
Solução para Auditorias Internas