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ISO 9001:2026: o que muda na nova versão da norma de gestão da qualidade

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Victor Assis

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Victor é graduado em Jornalismo e atua como profissional de Marketing. Apaixonado por contar histórias e criar conexões através da comunicação. Faço parte do time de Marketing da ForLogic e do Qualiex, gerando conteúdo para aproximar a Qualidade de mais pessoas. Sou produtor do Qualicast, o 1º e maior podcast sobre Gestão da Qualidade no Brasil. Você pode me encontrar no Instagram ou no LinkedIn

A ISO 9001, a norma de sistema de gestão da qualidade (SGQ) mais adotada no mundo, está prestes a ganhar sua sexta edição. Depois de mais de dez anos com a versão de 2015 em vigor, a ISO 9001:2026 traz ajustes que, embora não representem uma ruptura estrutural, exigem atenção de quem implementa, audita ou mantém um sistema certificado.

Neste artigo, reunimos as principais mudanças já confirmadas na fase de Final Draft International Standard (FDIS) — a etapa final antes da publicação oficial — com base na interpretação técnica publicada pelo Chartered Quality Institute (CQI), instituição com status de liaison categoria A junto ao comitê responsável pela norma (ISO/TC 176/SC 2).

Aviso importante: este conteúdo foi elaborado com base no texto do Final Draft International Standard (FDIS) e em interpretações técnicas disponíveis antes da publicação oficial da ISO 9001:2026. A publicação da nova edição está prevista para 16 de setembro de 2026. Pequenos ajustes de redação podem ocorrer no texto final. Antes de tomar decisões de conformidade ou auditoria, confirme os requisitos na edição oficial publicada pela ISO.

Mas, antes de sair revisando documentos e processos, vale uma pergunta mais importante: faz sentido começar a revisar o SGQ antes mesmo da publicação oficial da nova versão? Neste vídeo, discutimos o que pode ser avaliado desde já e o que é melhor deixar para depois da publicação da norma.

Quando a ISO 9001:2026 é publicada?

A publicação da ISO 9001:2026 está prevista para 16 de setembro de 2026, após a conclusão da votação final do FDIS e dos últimos ajustes editoriais de produção.

Assim como em revisões anteriores, é esperado um período de transição para que organizações certificadas na versão 2015 migrem para a nova edição — mas a duração oficial desse período só é confirmada junto com a publicação da norma.

Resumo das principais mudanças

De forma geral, a ISO 9001:2026 é descrita como uma revisão evolutiva, não revolucionária. A estrutura de dez cláusulas do Anexo SL (Estrutura Harmonizada da ISO) é mantida, e boa parte do conteúdo permanece reconhecível para quem já trabalha com a versão 2015. Ainda assim, seis frentes de mudança se destacam:

Infográfico com as 6 principais mudanças da ISO 9001:2026, incluindo cultura da qualidade, riscos e oportunidades, gestão de mudanças, Anexo A, termos e definições e mudança climática.

1. Cultura da qualidade e comportamento ético

Pela primeira vez, a norma passa a tratar explicitamente de cultura da qualidade e comportamento ético como responsabilidades da alta direção. As referências aparecem na cláusula de Liderança (5.1.1) e na cláusula de Conscientização (7.3), além de uma menção ao ambiente para a operação de processos (7.1.4).

Embora a mudança de redação pareça pequena, o impacto prático tende a ser relevante: a alta direção precisará demonstrar — e apresentar evidências — de como promove essa cultura e esse comportamento ético, e os auditores precisarão avaliar a conformidade a esse respeito.

2. Separação mais clara entre riscos e oportunidades

A cláusula 6.1 é reestruturada para distinguir com mais precisão os dois conceitos:

  • 6.1.1 passa a se chamar “Determinação de riscos e oportunidades”;
  • 6.1.2 passa a tratar exclusivamente de “Ações para tratar riscos”;
  • 6.1.3 é uma nova subcláusula dedicada às “Ações para tratar oportunidades”.

Na prática, isso facilita a gestão estratégica ao evitar que riscos e oportunidades sejam tratados de forma indistinta, como ocorria com frequência sob a redação da versão 2015.

3. Gestão de mudanças reforçada

As exigências relacionadas a alterações no SGQ ganham camadas adicionais: agora é preciso considerar como a mudança será comunicada, como sua eficácia será monitorada e avaliada e como os resultados dessas mudanças serão revisados — não bastando apenas planejar e executar a alteração.

4. Anexo A ampliado — e Anexo B removido

O Anexo A informativo, que na versão 2015 cobria apenas alguns tópicos pontuais, passa a oferecer orientação para todas as cláusulas de 4 a 10, ajudando na interpretação da estrutura, terminologia e intenção de cada requisito (sem alterar os requisitos em si, já que o anexo continua sendo apenas informativo).

Já o Anexo B — que listava outras normas do comitê TC 176 relevantes para usuários da ISO 9001 — é eliminado. Essas referências passam a constar diretamente nas notas do novo Anexo A.

5. Inclusão de termos e definições no próprio texto

Na versão 2015, o usuário era simplesmente direcionado à ISO 9000:2015 para consultar termos e definições. A ISO 9001:2026 passa a trazer, no próprio corpo do texto (cláusula 3), os termos centrais de gestão vindos da Estrutura Harmonizada e os termos específicos de gestão da qualidade vindos da futura ISO 9000:2026 — o que deve facilitar a navegação por quem usa a norma no dia a dia.

6. Incorporação formal da mudança climática

A emenda sobre ação climática publicada pela ISO em fevereiro de 2024 — que já afetava diversas normas de sistemas de gestão — é incorporada diretamente ao texto da ISO 9001:2026, com novos requisitos normativos nas cláusulas 4.1 (contexto da organização) e 4.2 (partes interessadas).

Infográfico mostrando onde estão as principais mudanças na estrutura da ISO 9001:2026, das cláusulas 4 a 10, incluindo contexto, liderança, planejamento, apoio, operação, avaliação de desempenho e melhoria.

Outras mudanças pontuais que vale conhecer

  • Terminologia padronizada: registros do SGQ passam a ser tratados de forma unificada como informação documentada “disponível”, substituindo os termos “mantida” e “retida”.
  • Conhecimento organizacional (cláusula 7.1.6): a exigência deixa de cobrir apenas o conhecimento necessário para a conformidade de produtos e serviços e passa a abranger o que sustenta os resultados pretendidos do próprio SGQ.
  • Operação (cláusula 8): organizações devem informar clientes sobre ações de contingência em caso de disrupções no fornecimento; o processo de design e desenvolvimento passa a considerar outras partes interessadas além de clientes e usuários.
  • Avaliação de desempenho (cláusula 9): a análise crítica pela direção é reorganizada em subcláusulas específicas (requisitos gerais, entradas e resultados), reforçando a rastreabilidade das evidências.
  • Melhoria (cláusula 10): a antiga cláusula 10.3 é incorporada às cláusulas 10.1 e 10.2, reforçando a melhoria como obrigação contínua e não como etapa isolada.
  • A norma deixa de se referir a si mesma como “esta norma internacional” e passa a usar “este documento”, em linha com a Estrutura Harmonizada.

O que NÃO muda (e não precisa ser refeito)

A revisão da norma também é uma oportunidade para separar o que realmente precisa ser ajustado daquilo que pode continuar funcionando como está. Para ajudar nessa análise, reunimos neste vídeo cinco perguntas que todo profissional da Qualidade deveria saber responder diante das mudanças da ISO 9001:2026.

Um mal-entendido comum em revisões de norma é achar que tudo precisa ser reescrito. Segundo a leitura da CQI, organizações não são obrigadas a:

  • recriar a função de representante da direção, caso já a tenham eliminado;
  • descartar manuais e procedimentos documentados que já funcionam bem;
  • renumerar ou renomear documentos internos para espelhar a nova numeração de cláusulas;
  • reestruturar o SGQ para seguir a sequência exata da norma;
  • trocar terminologia interna (por exemplo, continuar usando “registros” em vez de “informação documentada”, ou “fornecedor” em vez de “provedor externo”);
  • adotar ferramentas específicas, como SWOT ou PESTLE, para tratar riscos, oportunidades e contexto.

O que se espera é que os requisitos sejam atendidos — não que a estrutura documental seja copiada literalmente da norma.

Como se preparar desde já

Saber o que mudou é apenas o primeiro passo. A questão agora é entender como transformar essas informações em preparação prática, sem antecipar mudanças desnecessárias ou criar um plano de ação baseado em interpretações ainda provisórias. Neste episódio do Qualicast, aprofundamos justamente esse caminho e discutimos como as organizações podem se preparar para a revisão.

  1. Mapeie onde sua organização já demonstra (ou não) cultura da qualidade e comportamento ético de forma documentável.
  2. Revise como riscos e oportunidades são tratados hoje e avalie se já estão suficientemente separados no seu processo.
  3. Verifique se seu processo de gestão de mudanças contempla comunicação, monitoramento e revisão de resultados.
  4. Acompanhe os canais oficiais da ISO e do seu organismo de certificação para confirmar a data de publicação e as regras de transição.
  5. Evite decisões precipitadas de reestruturação documental antes da publicação do texto final.

Se você já conhece os principais pontos da revisão e quer transformar essa preparação em ações concretas, este vídeo complementa o conteúdo do Qualicast com uma abordagem mais prática sobre o que fazer antes da nova versão da ISO 9001 entrar em vigor. A ideia é começar pelo que já pode ser analisado hoje, sem correr para alterar aquilo que ainda não precisa ser alterado.

A ISO 9001:2026 traz mudanças que merecem atenção, mas a publicação de uma nova versão não significa que o SGQ precise ser reconstruído. O melhor momento para começar a se preparar é agora, entendendo as mudanças, avaliando o que já funciona na organização e identificando onde podem existir oportunidades de melhoria. Com a publicação oficial em mãos, será possível transformar essa análise em um plano de transição mais preciso e alinhado aos novos requisitos.

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Perguntas frequentes sobre a ISO 9001:2026

A ISO 9001:2026 é a nova edição da norma internacional que estabelece requisitos para sistemas de gestão da qualidade (SGQ). Ela sucede a ISO 9001:2015 e mantém a estrutura geral da norma, mas traz mudanças em temas como cultura da qualidade, comportamento ético, riscos e oportunidades, gestão de mudanças, conhecimento organizacional e mudança climática.

A publicação da ISO 9001:2026 está prevista para 16 de setembro de 2026. A data definitiva depende da conclusão do processo de aprovação e dos ajustes editoriais finais. Por isso, é importante acompanhar as comunicações oficiais da ISO e do organismo de certificação da sua organização.

Entre as principais mudanças estão a inclusão mais explícita de cultura da qualidade e comportamento ético, uma separação mais clara entre riscos e oportunidades, novos elementos relacionados à gestão de mudanças, a incorporação da mudança climática ao texto da norma e alterações na estrutura dos anexos e dos termos e definições.

O texto integral e definitivo deve ser adquirido através da ISO ou de um distribuidor nacional autorizado (no Brasil, pela ABNT) após a publicação. Resumos como este não substituem a leitura da norma oficial.

Não. A revisão mantém a estrutura de dez cláusulas utilizada pela ISO 9001:2015 e baseada na Estrutura Harmonizada das normas de sistemas de gestão. Portanto, a mudança é considerada evolutiva, e não uma reconstrução completa da norma.

Não. As mudanças são descritas como evolutivas. Na maioria dos casos, é preciso revisar e ajustar pontos específicos — como evidências de cultura da qualidade e comportamento ético, e a forma como riscos e oportunidades são tratados — em vez de reconstruir o SGQ do zero.

Não imediatamente. Assim como em revisões anteriores, é esperado um período de transição definido pela ISO e pelos organismos de acreditação, durante o qual certificados na versão 2015 continuam válidos. A duração exata só é confirmada com a publicação oficial — acompanhe as comunicações do seu organismo certificador.

Não necessariamente. A revisão não significa que todos os procedimentos, documentos e processos existentes precisem ser refeitos. A organização deve avaliar quais requisitos foram alterados e verificar se o SGQ atual já atende a eles ou se precisa de ajustes.

Não. A organização não precisa estruturar seus documentos seguindo exatamente a numeração das cláusulas da ISO 9001. O importante é demonstrar que os requisitos aplicáveis são atendidos de maneira adequada.

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