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ISO 9001:2015 – Conscientização (Parte 1)

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    Davidson Ramos

    Davidson Ramos

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    Auditor Líder ISO 9001:2015 e autor de centenas de artigos sobre Gestão da Qualidade, sempre acreditei que as pessoas têm o poder de mudar o mundo a sua volta, desde que estejam verdadeiramente engajadas nisso. Por isso me dedico a ajudar as pessoas a criar laços verdadeiros com seu trabalho, porque pessoas engajadas mudam o mundo!

    Uma das importantes mudanças na ISO 9001:2015 é a inclusão do item 7.3 Conscientização. Ele determina que as empresas terão de assegurar que qualquer pessoa que realize trabalhos sob controle da organização esteja ciente do papel que ela desempenha no SGQ das organizações.

    Assim, colaboradores, terceirizados, diaristas, estagiários, menores aprendizes, QUALQUER PESSOA que esteja ligada à Qualidade da empresa tem de saber quais são as contribuições que ela pode e deve dar para a conformidade dos produtos e serviços.

    Por que essa conscientização tem que ser um trabalho muito bem feito?

    Não é novidade que as pessoas devem ser conscientizadas para a Qualidade, já falamos aqui que o gestor da qualidade é um evangelizador e principalmente que isso é importante para o estabelecimento de uma cultura, entretanto, é um trabalho que deve ter frequência e constância, e nem sempre investimos esforço nessa atividade por muito tempo, e isso pode refletir numa cultura de medo, punições e revoltas.

    Napoleão Bonaparte, por exemplo, foi um líder ditador e autoritário, porém sempre se certificou de que seus soldados soubessem exatamente o que deveriam fazer e qual o objetivo do que iriam executar.

    Seus generais eram instruídos a explicar detalhadamente os planos aos soldados e se certificarem de eles haviam entendido o que precisavam fazer, pois Napoleão sabia que a falta compreensão levaria a má execução das ordens.

    No SGQ não é nada diferente, se seu colaborador não estiver conscientizado, ou seja, não souber qual o seu papel e qual é a influência que ele exerce no final do processo, ele não terá um norte a seguir, um objetivo claro a alcançar.

    Imagine um colaborar responsável por parafusar as rodas dos automóveis no final da linha de montagem, se ele não compreender que o seu trabalho é o que dá sustentação a todo o funcionamento do carro e que, por exemplo, esquecer de colocar um parafuso em uma roda pode causar um grave acidente, talvez ele não dê a essa tarefa a atenção que ela realmente merece.

    Se esse exemplo for um pouco drástico para você, vamos voltar um pouco na linha de montagem, na parte elétrica, se um colaborador esquecer de conectar um único fio, o automóvel pode não ligar, as setas ou os faróis podem não funcionar, os vidros elétricos podem não baixar, ou seja, o resultado final de todos os processos será muito prejudicado.

    Portanto, é preciso que os colaboradores saibam exatamente o impacto que tem sobre a Qualidade da empresa, e isso envolve não só as próprias atividades, mas também o trabalho relacionado a melhoria contínua. Se as pessoas não entendem como tratar uma NC pode fazer o trabalho delas ser melhor, elas não foram conscientizadas completamente.

    Conscientizar não é fazer um Workshop com todo mundo falando de Qualidade, conscientizar é entregar informações direcionadas que você sabe que vão interessar às pessoas, que vão fazê-las prestar atenção, como indicar ao gestor da produção o uso do Kanban para facilitar o controle do fluxo de trabalho da equipe, por exemplo.

    Vejo muitos profissionais da qualidade reclamando que “ninguém registra NC, ou “na reunião de NC’s ninguém dá a mínima para o que estou falando”, “eles não analisam os indicadores”, “eles não trabalham nas ações corretivas, estão todas atrasadas”, e eu acredito que isso acontece mesmo! Mas será que esses colaboradores entenderam a gravidade que é não executar uma ação corretiva? Qual é o impacto disso para a empresa? Não é nem para a Qualidade, departamento, é para a empresa!

    Esse trabalho falho tem levado a não compreensão da Qualidade, e dispersado as pessoas de um trabalho que poderia ser muito melhor, portanto, por mais que não seja um trabalho de resultado imediato, vale a pena repensar a forma como temos conscientizado as pessoas, afinal, conscientizar é evangelizar as pessoas para a Qualidade! Se até Napoleão conseguiu, por que não nós?

     

    Leia todos os artigos do Blog da Qualidade sobre ISO 9001:2015!

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    21 comentários em “ISO 9001:2015 – Conscientização (Parte 1)”

    1. Davidson,
      Devo parabeniza-lo pelo artigo e dizer que há muito tempo procuro algo similar…Concordo plenamente quando escreve que o trabalho deve ter ” frequência e constância”, pois a “persistência é que leva ao sucesso ” ( alguém falou isso, não lembro quem !)
      O exemplo que você citou de Napoleão foi perfeito!
      Esse é um dos grandes desafios de quem busca “qualidade” dentro das organizações…
      Gostaria de ter acesso à mais dicas para elaboração de um bom “programa de conscientização”…
      Alex

      1. Davidson Henrique Ramos

        Alex,

        Primeiramente muito obrigado pelo feedback!

        Fico muito feliz de ler os comentários das postagens (sejam eles positivos ou negativos), pois isso ajuda muito a saber se estou no caminho certo e me motiva ainda mais a produzir textos com Qualidade!
        Futuramente iremos postar mais artigos sobre Conscientização, já estão em produção! Caso você ainda não receba as novidades do blog por email, assine a nossa newsletter para não perder nenhum conteúdo, incluindo o post sobre o item 7.3.

        Mais uma vez muito obrigado, Alex.

        Grande Abraço! 😉

    2. Eduardo Fernandes

      Como lidar com a Cultura????

      Coisa já ficionadas na cabeça o famoso “É automático”, as vezes eu penso, estou tentando gerenciar pessoas com 20, 15 , 12, 10 , 8 anos de empresa eu sinto muito dificuldade, por ser novo talvez e tentar introduzir metodologias “futuristas” aos que estão fazendo a mesma coisa a anos “A ANOS”.

      Poderiam escrever algo no blog, sobre nova safra de profissionais tentando lidar com as dificuldades, o que você acha?

      Valeu, altos texto.

      1. Olá Eduardo!

        A gente fala muito sobre o “É automático” aqui, além de ser uma espécie de limitador das mudanças, ele prejudica bastante as decisões. Às vezes precisamos refletir mais sobre uma situação, o “automático” faz com que não façamos isso… e tomamos a decisão errada.

        Quanto ao tema, ótima sugestão! Gostei muito mesmo! Vou conversar com o Jeison para ele escrever artigo post, falando da experiência dele com liderança e tal.

        Muito obrigado pelo feedback, Eduardo! Grande abraço.

      2. Olá Eduardo, tudo bom?
        Cara, então, com certeza vai rolar uma “série sobre engajamento” aqui no Blog, já prometi puxa isso pra Monise e para o Davidson.
        Mas a sua dúvida é mais profunda, gerenciar pessoas é mesmo uma boa ideia? Uma coisa é gerir um processo, outra coisa (que inclusive não dá muito certo) é gerenciar pessoas.

        Pessoas precisam ser lideradas, e liderar uma pessoa com 10 anos de casa é difícil, sabe porque? porque já passaram por alí, 5, 6… que as vezes pouco sabiam, ou se sabiam, não aguentaram ficar.

        Para liderar gente assim, o melhor é usar o exemplo, e fazer junto. Alguém com muito tempo de casa sempre acredita saber fazer, e que quem chega não sabe, se você souber como ajuda-lo, e principalmente, se melhorar o trabalho dela, com certeza essa pessoa vai te seguir e ai o engajamento aumenta muito.

        mas esse é um tema espinhoso, e que deve sim aparecer quando vamos falar de engajamento, cultura e liderança.

        um forte abraço, obrigado por contribuir.

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