Cultura organizacional

O melhor planejamento estratégico da minha vida

Fizemos um painel de papel kraft no nosso auditório e fomos formalizando tudo que fizemos durante a semana do Planejamento Estratégico.
Imprimir artigo

Sabe quando no fim do trabalho você fica com um nó de alegria na garganta? Não é vontade de chorar, é alegria mesmo. Então, na sexta-feira, meu dia terminou assim. No sábado, dia 26 de janeiro, nós encerramos o planejamento estratégico 2019. Outro nó na garganta. Por isso, neste artigo, vou contar de forma resumida como foi o melhor planejamento estratégico da minha vida!

Resultados de um ano não garantem o futuro

O ano que terminou foi muito bom pra nós. Tivemos um crescimento acima do mercado, número recorde de clientes, contratamos muita gente, mas tinha um problema: o trabalho estava muito desgastante, e havia uma sensação de precisávamos fazer algo diferente.

Ou seja, os resultados eram bons até certo ponto, mas queríamos mudar algumas coisas.

De onde veio isso?

Em setembro, discutimos coisas importantes para nosso negócio, nossas intenções, cliente foco, diferenciais e nossas competências chave, e isso foi muito bom. Principalmente, porque aconteceu em uma viagem com mais de quarenta pessoas da empresa. Isso teve muito significado, pois estávamos fazendo o que acreditávamos, não o que funciona. Já na ocasião, eu lancei: “Em 2019, teremos nosso planejamento estratégico, será o Divertimento Estratégico” (sem saber ao certo o que seria isso).

Desde então, eu sabia que esse ano tinha que ter um plano diferente, eu sentia. Vou dizer uma coisa que avaliadores compulsórios de planilhas vão achar um absurdo: aqui nós fazemos muita coisa pelo o que sentimos. Esse sentimento veio crescendo até que, como eu contei no meu artigo sobre melhoria continua, nós assumimos que a melhoria contínua, para nós, não seria mais uma opção em 2019.

O medo do planejamento

Quando assumimos que iriamos buscar uma ruptura, avisei que nós iríamos mudar a empresa inteira, que simplesmente tudo ia ser diferente. Houve um alvoroço, com toda a razão, as pessoas estavam com medo do que iria acontecer, fiz algumas conversas, dinâmicas, tentei deixar mais claro, mas mantive a posição, vamos mudar tudo em 2019.

Que consultoria usar nesse planejamento estratégico?

Chegamos em dezembro, a Marina, que trabalha comigo, estava assustada: “Chefe, o que vai ser o divertimento estratégico?”, eu só respondia, calma, estou pensando nisso. Eu também estava assustado, mas sabia que tinha que ser algo épico, a abertura de um novo ciclo na Empresa.

Nós sempre usamos consultoria aqui, pra tudo, e achamos ótimo. A consultoria colabora muito com meu trabalho. Mas esse ano, dessa vez, para esse planejamento, eu não queria usar. Eu sabia que nenhuma consultoria ia conseguir o que eu queria com o Divertimento Estratégico. Eu queria algo que fosse a cara da nossa empresa.

Um nome diferente: Divertimento Estratégico

O objetivo de substituir o “Planejamento Estratégico” por “Divertimento Estratégico” foi principalmente para tirar o “peso” do planejamento e mostrar que é possível fazer isso de forma divertida. Talvez o melhor nome fosse “Divertimento do Planejar Estratégico”, mas encurtamos pra ficar mais legal.

A ideia aqui não era fazer festa durante esses dias, e sim fazer um trabalho importante, com leveza e participação de todos. O Divertimento deveria sim ser um momento de alegria, era a hora de usar a criatividade para criar caminhos para o futuro. Então, tinha que ser diferente, não podia ser chato, não podia ser pesado. Deveria ser divertido, leve e importante!

Primeira grande sacada – ouvir as pessoas

Já tínhamos conversado com as pessoas e pegado algumas percepções individualmente, mas resolvemos fazer uma pesquisa simples, com perguntas simples e um NPS.

O resultado foi assustador, algumas coisas que nós já sabíamos estavam lá, mas tinham coisas que nem imaginávamos e apareceram. Isso ajudou muito a entender como os colaboradores se sentiam e deu um bom norte para o trabalho.

Segunda grande sacada – chamar um time de especialistas: nossos especialistas

Monise Carla: vocês já conhecem ela aqui do blog! A Monise é sensacional, sempre que tem algo que eu não sei como fazer, chamo a Monise. Ela também não sabe, mas tem uma energia que ajuda a gente a realizar qualquer coisa. Sempre preocupada com o nosso resultado e como nós levamos a informação para as equipes.

Neto: Trabalha comigo há alguns anos, todos que trabalham com ele adoram o cara por uma palavra: coerência. O neto é quem sempre pensa em como o cara está entendendo o que fazemos, se vai ficar bom para a equipe e se nós não estamos cobrando algo que não devíamos. Atuou com gestão de projetos, e agora atua na gestão de produtos e liderança dos times de desenvolvimento.

Fernando: o Fer é o cara do nosso time de gente cultura e gestão. Ele é o cara que ouve as pessoas, e que pouco fala, mas quando fala, coloca a gente em uma saia justa porque ele tem uma visão diferente das coisas.

Marina Beffa: auditoria da qualidade, entende muito de processos, de gestão de indicadores e principalmente da qualidade de verdade. Alguém sempre extremamente preocupada com a conexão das coisas, que sofre quando a equipe trabalha sem “porque”, pois sobra pra ela cobrar ‘atividades’ que a pessoa devia entregar.

Autonomia

Tenho dois sócios extremamente competentes, todo problema que temos, eles quem resolvem, mas dessa vez, praticamente não participaram. O Jack ainda apoiou algumas pessoas quando demandado, mas eu não os envolvi por dois motivos.

Primeiro, os dois estavam em desafios enormes. Diogo estava cuidando de uma mudança enorme que estamos fazendo na arquitetura das nossas soluções de tecnologia; e o Jack estava envolvido com o detalhamento do orçamento de 2019, que esse ano é chave para nosso sucesso.

Segundo motivo, e o principal, nosso planejamento bateu muito em autonomia. Aqui na ForLogic, as coisas importantes não vão sobrar para os sócios. Aqui, quem tiver vontade, responsabilidade e competência, vai assumir o desafio que quiser.

E como foi esse tal Planejamento Divertimento Estratégico?

Primeiro, nós envolvemos a empresa toda. Os 85 colaboradores participaram. Começamos em um domingo com 40 pessoas e terminamos em um sábado. Isso também tem uma mensagem: o trabalho requer muita dedicação.

Reservamos com todas as pessoas alguns horários: de segunda a sexta, das 8h às 10h e das 13h10 às 13h40. E sexta-feira, das 16h às 18h. Sábado de manhã (facultativo, participava quem quisesse).

Tivemos um grupo selecionado de líderes que ainda teria atividades em outros horários para alguns detalhamentos e definições (inclusive no domingo que abriu o planejamento).

Com a agenda programada todos sabiam quando deveriam estar disponíveis, foi assim que nós começamos JUNTOS a construir a nova empresa.

Segunda-feira: uma mudança completa de posicionamento

Falamos dos resultados de 2018, encerramos um projeto de 3 anos, e fizemos a abertura de um novo momento na empresa. Falamos do nosso propósito (que foi construído por todos e fechado no domingo), da nossa visão, e principalmente, explicamos como será o reposicionamento da nossa empresa a partir de 2019. Teremos uma mudança grande na forma de atendimento.

Na sequência, falamos do cliente. A Monise conduziu e discutimos como vamos tratar as principais mudanças na forma de entregar resultados para o nosso cliente. Apresentamos uma nova proposta para equipe e juntos trabalhamos em propostas para mais de 10 clientes, foi muito legal.

Terça-feira: uma nova empresa

Começamos falando da nossa nova estrutura de trabalho, houve uma grande mudança. Pensei nela, validei com sócios e com todos nossos especialistas. Então, na terça, explicamos como vai ser o fim da hierarquia e como vamos nos organizar sistemicamente em empreendimentos e áreas de negócio.

Sim, foi um momento de choque. Muita gente ficou perdida, nós sabíamos que seria assim. A Marina Beffa conduziu muito bem esse trabalho, deixamos algumas dinâmicas para as pessoas se encontrarem na nova estrutura. Mas aqui foi um baque.

Com os líderes, a Marina ainda preparou algo onde validamos o nosso mapa estratégico e fechamos os indicadores estratégicos principais. Depois, em uma dinâmica, falamos deles com todas as pessoas da equipe.

No fim da terça-feira, o clima estava tenso. Mesmo tendo preparado antes a estrutura e os indicadores, parecia que tínhamos trabalhando 5 dias em um dia só. O time que estava conduzindo o Divertimento Estratégico estava exausto, e preocupado. As pessoas que participaram estavam cheias de dúvidas, nós não tínhamos desenhado nenhum “como” ainda, estávamos fazendo apenas o “porquê” e “o quê” seria feito.

E uma dúvida ficava no ar, mesmo pra nós: Será que as coisas iriam se conectar?

Quarta-feira: as visões se clareando

Abrimos o dia com uma visão geral do tínhamos feito de domingo até aquela quarta. Isso foi muito importante. Nossa proposta era falar sobre projetos, mas antes de falar disso, o resumo feito pelo Neto clareou muita coisa. Então começamos a discutir os projetos necessários para entregar a estratégia do nosso mapa do BSC, que estava muito mais ligada aos nossos clientes e que nos apoiaria a cumprir nosso propósito e nossa visão.

À tarde, começamos a falar de pessoas, era vez do Fernando conduzir. Até agora, estávamos falando de projetos, metas, indicadores, estruturas e processos. Agora, era hora de falar quem era o ForLogickr, e o que esperávamos dessas pessoas esquisitas que trabalham aqui.

Quinta-feira: mais sobre pessoas

Continuamos falando das pessoas, mas dessa vez por outro ponto. Fernando trouxe a discussão de quais eram os desafios individuais de cada colaborador. Tivemos uma dinâmica para apresentar que tipo de empresa queremos criar, e como a autonomia depende de alinhamento para que realmente aconteça.

À tarde, o Fernando ainda preparou algo para definirmos em conjunto todo o guia de liderança, ou seja, algo que mostrasse quem é o Líder ForLogic e quais comportamentos, atitudes, valores e ações esperamos dele. Fizemos isso em uma dinâmica com todos que trabalham diretamente na estratégia.

Sexta-feira: condutas e valores

Começamos a sexta discutindo quais condutas temos que seguir para representar nossos valores, mais de 80 pessoas debatendo essas condutas foi muito legal. Depois, tivemos uma palestra do Flavio Tavares (Instituto Parar e Golsat), que falou sobre “Quem constrói o amanhã”, foi incrível.

Ainda na sexta, tivemos a visita do Sr. Domingos, que veio contar como é a vida das crianças da CASA DA CRIANÇA, uma casa de apoio a crianças em situação de risco, lugar que planejávamos visitar no sábado.

No fim da tarde, fizemos uma retrospectiva de todo o trabalho realizado no Divertimento Estratégico, ouvimos feedbacks e fizemos uma pesquisa de satisfação.

Sábado: uma festa diferente

Sábado fizemos a festa em um trabalho na casa das crianças, mas isso foi contado nesse artigo aqui.

Fizemos um painel de papel kraft no nosso auditório e fomos formalizando tudo que fizemos durante a semana do Planejamento Estratégico.

Fizemos um painel de papel kraft no nosso auditório e fomos formalizando tudo que fizemos durante a semana do Planejamento Estratégico.

Quem trabalhou no que?

Esse trabalho foi realizado a muitas mãos, em especial as dos que conduziram o Divertimento Estratégico. Percebeu que dia a dia alguém conduzia alguma coisa? E eu jamais teria tido o resultado que tive atuando sozinho nesse projeto. O time de especialistas lá de dentro da empresa foi fundamental.

Com autonomia e alinhamento, eles puderam contribuir de uma forma incrível e tivemos o melhor planejamento que eu já participei ou conduzi na vida.

Avaliação final: envolver as pessoas vale a pena!

Nós pretendemos mudar todo o trabalho em 2019, e todos estavam com muito medo disso. Quando decidimos envolver todas as pessoas foi porque sabemos que elas podem nos ajudar nessa mudança, mas além de um trabalho melhor, tivemos outro benefício visível: sentimento de pertencimento.

A avaliação foi unanime TODOS acharam que conseguirmos dar mais clareza e direcionar melhor o trabalho para esse ano. Além de vários depoimentos do tipo: “Me senti parte de tudo aqui”, “Senti que construímos juntos o que vamos fazer”, entre outros.

É claro que, quando escolhemos fazer do Divertimento Estratégico um momento em que todos pudessem contribuir, esperávamos ter resultados. Mas confesso que, quando boas pessoas se envolvem com autonomia e paixão no trabalho, o resultado surpreende até quem conduz o trabalho!

Banner do módulo de getão estratégica do Qualiex

Autor

Comentários

Posts Relacionados

← Post mais recente
Como elaborar um Plano de Contingência