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O que aprendi conduzindo planejamento estratégico há mais de 15 anos

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Jeison

Jeison

Sou co-fundador da ForLogic Software, hoje atuo com gente, cultura e gestão. Sou um dos criadores do Qualiex, do Qualicast (o 1º Podcast nacional focado em qualidade), criador do Blog da Qualidade (o maior blog sobre Qualidade do Brasil). Mestre em Engenharia da Produção pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), auditor líder formado com orgulho pela ATSGna ISO9001 e 22000, pai, empreendedor, e um inconformado de plantão!
Acredito na responsabilidade do indivíduo, no poder da qualidade e que podemos fazer diferente. Me acompanhe no Linkedin e no Instagram.

Sou cofundador da ForLogic, atual CEO e sempre liderei nosso time com o apoio incrível e fundamental dos meus sócios e dos nossos líderes. Com o tempo me envolvi em novos negócios, joint-ventures, novas empresas, fundos de investimentos e outros.

Com isso, algo sempre esteve nos meus olhos, ou melhor, nas minhas mãos: o nosso planejamento estratégico. Nesse artigo vou compartilhar o que aprendi em alguns anos conduzindo e atuando com planejamento estratégico.

Como o planejamento estratégico veio até mim?

Desde o início do nosso negócio, contamos com consultores, mentores e especialistas para nos apoiar. Hoje ainda, essa é uma prática recorrente aqui.

Mesmo quando temos capacidade para realizar o trabalho sozinhos, é comum buscar conhecimento fora para “oxigenar as ideias”. Com o planejamento não era diferente.

Um dos melhores moderadores de planejamento estratégico que conheci foi um amigo que se foi alguns anos chamado George. Ele tinha muita paciência, sempre fazia boas pergunta e queria ouvir todos.

Aprendi muito com ele.

Ele já havia nos apoiado, com o planejamento uma ou duas vezes, em certa ocasião o procurei para o planejamento e ele foi categórico, me disse que quem devia fazer o trabalho era eu.

Eu confesso que fiquei lisonjeado na época, mas com muito medo de fazer besteira. E essa foi a primeira lição que quero compartilhar: O planejamento estratégico é responsabilidade do Líder da organização.

Não, o líder não precisa fazer isso sozinho, é inclusive recomendável que ele tenha apoio, mas o que aprendi com meu saudoso amigo, é que isso era responsabilidade minha.

Ele não queria que eu o conduzisse o processo sozinho, mas queria, que eu me apoderasse do planejamento como meu trabalho.

Semana da Qualidade 2023

Ter claro o objetivo do planejamento estratégico

Planejamentos não são todos iguais, na verdade nunca são iguais. Mas tem algo importante a dizer aqui, é que cada planejamento precisa ter claro o seu objetivo.

Isso significa que a primeira pergunta importante de ser respondida é: Qual o resultado que esperamos desse planejamento?

Sim, planejamentos são direcionadores da estratégia, isso é comum. Entretanto, ainda assim, o resultado que esperamos podem variar.

Por exemplo: um planejamento pode estar focado em “criar uma nova identidade” ou então em criar uma ruptura no negócio. Podemos ter planejamentos focados em cadenciar a estratégia de lançamento de produto, outro em promover um avanço significativo no “ganho de velocidade” rumo a uma meta ou objetivo.

Ao final do planejamento estratégico é importante perguntar: nós chegamos onde esperávamos com esse planejamento?

Em um mesmo ano, eu já atuei com um planejamento para uma mudança significativa na estrutura de negócios, cinco dias depois, em outro negócio na definição de rotinas e processos que garantissem um avanço significativo nas metas.

Claro, foram planos para empresas diferentes, com objetivos bem diferentes, e ambos foram bons.

Portanto, um aprendizado que tive é: quando deixamos claro o objetivo do planejamento, colocamos nossas ideias, capacidades e criatividade para chegar até aquele objetivo.

Um bom planejamento precisa de verdade.

Um bom planejamento precisa de verdade e para isso é importante o envolvimento genuíno de boa parte da empresa. E se possível a colaboração de todos!

Um erro comum, é planejar com o que “sabemos”, mas acontece que nem sempre sabemos o suficiente, ou pior, o que sabemos pode simplesmente estar errado.

Abertura para ouvir é importante. Isso é difícil para mim, gosto das coisas do meu jeito, e esse é o terceiro grande aprendizado: é preciso saber ouvir.

Eu sei o quanto isso soa como clichê. Mas você consegue ouvir mesmo, ou pensa que consegue?

Faça um teste: quantas vezes essa semana você ouviu alguém e mudou sua opinião?

Você não precisa e nem deve ser volúvel, e mudar ao sabor do vento a cada novo comentário, agora, se você nunca muda de opinião, eu desconfio que existe um problema.

Eu sofro com isso. E só o fato de saber que isso é algo que me limita, para mim já é um primeiro e importante passo. Por isso, procuro colocar atenção nesse ponto, e me policio para “tentar” mudar de opinião sempre ouço alguém.

Claro, para isso, preciso de argumentos válidos do lado do interlocutor. Contudo do meu lado, preciso aplacar meu ego.

Consenso ou direcionamento?

Outra lição importante é: consenso funciona, e ele é importante.

Já ouvi muitas pessoas, bem-sucedidas inclusive indo contra o consenso, e quando fui ouvir os argumentos, eram coisas como:

  • Nem sempre a unanimidade tem razão;
  • Boas ideias eram descartadas para ficar com a ideia média, ou
  • nem todos falam.

Na verdade, consenso é  justamente o contrário! Consenso não é unanimidade ou média, e em um consenso bem conduzido, TODOS devem falar.

Consenso não é levar todos a concordância de algo. Em um consenso, a primeira coisa que deve haver é “clima”.  Todos devem estar dispostos a tentar ouvir, alguém pode se perder, e o moderador deve trazer essa pessoa para o caminho correto.

Em um consenso o que deve prevalecer é a melhor ideia, e ele serve não “apenas” para se chegar a essa ideia, e sim para que todos decidam apoiar essa ideia.

Não é a ideia que você mais gosta, é a ideia que todos estão dispostos a apoiar.

E por que isso é importante? Porque com isso todos estão assumindo que vão trabalhar para o sucesso do que foi decidido no consenso. Mas isso merece um artigo  exclusivo sobre o assunto! 🔔

Direcionar também é preciso!

Nem tudo vem por consenso, nem deve vir.

Ao longo dos anos aprendi também que é importante dosar entre o consenso e o direcionamento. Muitas coisas, devem ser decididas por pessoas com responsabilidade e autonomia para isso.

Não é tudo, inclusive, é pouca coisa, mas algumas diretrizes, podem e devem vir do presidente, do CEO, do grupo de gestão.

Isso tem muito a ver com a alçada para determinada tomada de decisão. Quem determina o bônus da equipe? Isso deve ser um desejo, e uma determinação do acionista, do CEO. Claro que é uma demanda da equipe “ganhar mais”, agora decidir repartir parte do resultado, é algo que depende da alta liderança.

Muitas vezes, a abertura de uma área de negócios, vai ser decidida por um comitê que se dedicou meses ao estudo desse projeto. Em casos como este um direcionamento é mais eficaz que consenso.

Podemos fazer consenso para debater projetos, ações e ideais para essa área. Entretanto, a abertura de uma área de negócio, talvez deva ser trabalhada em um fórum mais privado.

Essa é uma importante lição: equilibrar consenso e direcionamento, principalmente levando em conta o alcance do objetivo do planejamento.

O planejamento estratégico não acontece em janeiro

O planejamento não acontece em janeiro, Novembro ou Outubro. O Planejamento estratégico acontece todos os dias na empresa que tem um sistema de gestão que seja estratégico.

A última lição que quero trazer é essa: O planejamento estratégico não é um evento, ele é um processo e deve ser retroalimentado pelo dia a dia. Claro que não podemos abandonar nossas premissas e sair correndo atrás do “dia a dia”, mas ele pode ser corrigido o tempo todo, isso DEVE acontecer.

Se o planejamento for vivo, todos estarão sempre trabalhando nele, buscando o que está lá, e um sistema de gestão de verdade apoia nisso.

No texto de hoje explorei 6 aprendizados:

  1. O planejamento estratégico é responsabilidade do Líder da organização 
  2. Definir um resultado esperado do Planejamento estratégico 
  3. É preciso saber ouvir 
  4. Consenso funciona 
  5. Equilibrar consenso e direcionamento 
  6. Planejamento estratégico não é um evento, é um processo. 

O artigo já ficou enorme, por isso vou ficar por aqui, mas temos muito mais para falar. Outros pontos importantes para o planejamento:  

Mas isso fica para um próximo artigo, espero que os pontos que eu apresentei já promovam uma reflexão importante no papel do planejamento e na forma como ele é conduzido por aí.  

Se você quiser, conta para mim se isso ajudou a clarear aí. 

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2 comentários em “O que aprendi conduzindo planejamento estratégico há mais de 15 anos”

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