Cultura organizacional

Pare de produzir com qualidade!

trem-de-brinquedo-quebrado-blig-da-qualidade
Imprimir artigo

“Temos de produzir este lote com qualidade excelente! Este lote de produtos vai para o nosso NOVO CLIENTE e precisamos garantir este NOVO CONTRATO! Trata-se do futuro de nossa empresa!” Por mais dolorosa que possa parecer, esta frase reflete a atitude de muitos empresários e diretores por aí. Produtos extremamente perfeitos, com um nível de qualidade superior, até que se tenha o contrato com o novo cliente. A partir daí…

Vivemos um grande dilema. E eu o chamo de produzir com qualidade! Isto porque, se existe a possibilidade de produzir COM qualidade, também existe a possibilidade de produzir SEM qualidade. Ou seja, para algumas empresas, a qualidade não é um valor que se pratica no dia a dia da organização, mas um processo que você liga ou desliga de acordo com o momento e o interesse.

De nada adianta adotar uma série de princípios e filosofias e não praticar isso rotineiramente. É como comprar uma moderna máquina de cortar grama e continuar utilizando a tesoura. O trabalho continuará ineficiente, lento, caro e as dores nas costas não cessarão. Os sistemas de qualidade são exatamente o que queremos que eles sejam, mostram a organização, sua cultura e sua filosofia. São apenas o nosso reflexo, como um espelho, e eles sempre irão revelar o nosso ritmo!

Qualidade é um valor! Qualidade não é um equipamento ou um processo! Não pode existir a possibilidade de se ter momentos em que se pratica e momentos em que não se pratica a qualidade. Caso a cultura de sua organização seja esta, realmente, a prática dos princípios e programas de incentivo e controle da qualidade serão um fardo! Um fardo pesado e caro!

Pesado, pois existirá uma série de retrabalhos a serem realizados para garantir as especificações do cliente, para utilizar insumos de baixa qualidade, tratar com fornecedores ruins, para atender as diretrizes e manuais da empresa e, principalmente, para demonstrar que se faz o que, na verdade, não se pratica.

E caro! Muito caro, porque gastar dinheiro com controles, treinamentos, pesquisas de satisfação, indicadores e muitas horas de trabalho que não geram resultado sólido, é muito caro!

Qualidade é um requisito que tem de ser inerente a todos os produtos e serviços. Uma empresa que quer se sobressair em um mercado altamente competitivo tem de se diferenciar das demais e produzir produtos que primam por sua qualidade é apenas uma pequena parte! Estão inclusos em priorizar a qualidade: promover a melhoria contínua de produtos e processos, se tornando cada vez melhor, mais eficiente e mais barato! Garantir a satisfação do cliente. Avaliar e desenvolver bons fornecedores. Utilizar ferramentas para trabalhar com dados e fatos! Ter colaboradores que garantem uma operação padronizada, que são bem treinados e que vão e voltam à empresa felizes em contribuir mais e melhor a cada dia e, é claro, devidamente remunerados. Priorizar a qualidade é, antes de tudo, ir além!

O mestre Ishikawa utiliza a seguinte definição:

A qualidade é uma revolução da própria filosofia administrativa, exigindo uma mudança de mentalidade de todos os integrantes da organização, principalmente da alta cúpula”.

Temos de nos mover e parar de pensar que existem dois processos: produção e qualidade! Ou eles são um só ou não são nada!

Só sobrevive quem tem o tema qualidade no sangue e não abre mão dele de forma alguma. A qualidade tem de fluir pelas artérias da organização, criando raízes na cultura de forma que seja impossível separar o tema do dia a dia da operação e da administração. Respirar qualidade, pensar qualidade, viver qualidade e, enfim, produzir qualidade!

Produzir produtos que sejam rentáveis, que agreguem valor ao cliente, que permitam à empresa se destacar das demais. A partir deste momento, com certeza, não haverá retrabalhos para separar os produtos “que vão garantir o novo contrato”, pois todos os produtos seguirão o padrão de qualidade que deveriam seguir!

Nesse momento, a qualidade deixará de ser um processo liga e desliga! Não haverão dois produtos, os com qualidade e os sem qualidade ou de qualidade inferior!

E para finalizar, gostaria de deixar uma reflexão. Muitas empresas têm adotado o conceito de “produtos de segunda linha. Estes nada mais são que produtos que tem uma qualidade inferior a um preço mais barato! A estas empresas, desejo sorte, sorte para que não se transformem em “empresas de segunda linha”.

Autor

Comentários

Posts Relacionados

mesa-de-trabalho-organizada-blog-da-qualidade
← Post mais recente
Como aplicar o 5S no seu computador?