Sistemas de gestão

ISO 56002 Gestão da Inovação – Introdução – Parte 2

Imagem com um homem de cinza observando uma parede com alguns desenhos simbolizando a ISO 56002 Gestão da Inovação.
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Continuando a série sobre a norma ISO 56002:2019 (Sistema de gestão da inovação), hoje quero encerrar a introdução da norma. Espero que ao fim do artigo você saiba se essa norma é ou não do interesse da sua empresa. Vamos ao tópico final:

0.3 Sistema de gestão a inovação

0.3.1 Geral

 

Esse tópico da norma começa defendendo que o sistema de gestão da inovação é um conjunto de elementos inter-relacionados, interativos, e que sua função é a realização de valor.

 

O item fala ainda que o sistema fornece uma estrutura para desenvolver, implantar avaliar o desempenho da inovação e alcançar os resultados pretendidos com ela. Aqui, também é salientado que os elementos podem ser adotados gradualmente, de acordo coma organização.

 

O 0.3.1 reforça, ainda, a importância da alta direção e da liderança para que a implementação do sistema seja efetiva e promova uma cultura que apoie as atividades de inovação.

 

 

Figura 1 – Representação da estrutura do sistema de gestão da inovação com referências às cláusulas deste documento

0.3.2 Ciclo Planejar-fazer-verificar-agir

Nesse tópico, um PDCA é apresentado. A norma denomina “O ciclo Planejar-Fazer-Verificar-Agir (PDCA)” e argumenta que, com ele, é possível que ocorra a melhoria contínua do sistema de gestão da inovação.

Esse ciclo, segundo a norma, busca garantir que as iniciativas e processos de inovação sejam adequadamente apoiados, tanto com recursos como com o gerenciamento, além de incentivar que as oportunidades e riscos sejam identificados e abordados pela organização durante o processo.

Aqui eu faço questão de fazer uma citação literal (tradução livre minha, igual a anterior), com a ajuda do meu amigo Alexandre Pierro, da Palas Consultoria (depois de apresentar o item e comentá-lo, vou colocar o comentário do Alexandre):

O ciclo PDCA pode ser aplicado ao sistema de gestão da inovação como um todo ou em suas partes. A Figura 1 ilustra como as Cláusulas 4 a 10 podem ser agrupadas em relação ao ciclo PDCA. O ciclo é informado e dirigido pelo contexto da organização (Cláusula 4) e sua liderança (Cláusula 5). […]

 

O ciclo pode ser descrito brevemente da seguinte maneira:

 

a) Planejar: estabelecer os objetivos e determinar as ações necessárias para lidar com oportunidades e riscos (Cláusula;

 

b) Fazer: implementar o que é planejado em termos de suporte e operações (Cláusulas 7 e 8);

 

c) Verificar: monitorar e (quando aplicável) medir os resultados em relação aos objetivos (Cláusula 9);

 

d) Agir: tomar ações para melhorar continuamente o desempenho do sistema de gestão da inovação (Cláusula 10).

Veja o que o Alexandre disse:

O ciclo PDCA é o momento mais importante da implementação do Sistema de Gestão, nesse momento (P), definimos quais os resultados que esperamos obter com a implementação. Nessa etapa vamos “setar” a bússola para onde queremos chegar. Nesse momento, definimos quais resultados queremos e como fazemos para chegar neles.

A etapa seguinte (D), é onde colocamos a “mão na massa”. Nessa etapa definimos a receita do bolo e como fazemos para ter os resultados que desejamos.

Depois vamos para a parte de medir (C) o que foi construído. Nessa etapa vemos tudo o que foi feito e se a construção está aderente com o que foi planejado.

Por último (A), caso exista algum problema ou o resultado que não seja o que foi esperado, fazemos um plano de ação para mudar e melhorar o que não estava de acordo com o planejado.

Depois que planejamos, executamos, medimos e agimos, voltamos para a estaca “zero” e começamos tudo de novo. Dessa forma, sempre estaremos em movimento e em direção a uma melhoria contínua e sustentável!”

0.3.3 Gerenciando incertezas e riscos

Em resumo, esse tópico aborda que, para inovar, precisamos estar dispostos a correr riscos e gerenciar as incertezas do processo, como citado:

As atividades de inovação precisam lidar com altos graus de variação e incerteza, principalmente durante as fases criativas iniciais. Elas são explorativos e caracterizadas por pesquisa, experimentação e aprendizado. À medida que o processo avança, o conhecimento é adquirido e a incerteza é reduzida.

 

As iniciativas de inovação envolvem assumir riscos e nem todas resultarão em inovação. Iniciativas descontinuadas são parte integrante dos processos e fontes de aprendizado como insumo para futuras iniciativas de inovação.

Aqui são apresentados pontos ligados a aprendizado organizacional e abre-se espaço para a gestão do conhecimento, que eu mencionei sentir falta no primeiro artigo da série.

O tópico segue falando que o apetite a risco da organização está ligado a ambição de inovação que ela possui e que diferentes abordagens podem ser usadas para tratar esses riscos, reforçando a importância de tratar isso de maneira sistêmica, considerando as interdependências.

O item reforça que os processos de inovação podem ser interativos e não lineares e, por isso, devem ser flexíveis e adaptáveis aos tipos de inovação que a organização procura alcançar.

Por fim, o tópico fala que implementar inovação pode exigir diferentes estilos, competências e culturas de liderança e defende, ainda, que é importante que a organização desafie o status quo e as premissas e estruturas organizacionais já estabelecidas.

Ou seja, um convite às organizações para tentar coisas novas e, logo, gerenciarem suas incertezas!

0.4 Relacionamento com outros padrões do sistema de gerenciamento

Este tópico inicia apresentando que a norma está dentro do famoso ANEXO SL, o que é uma ótima notícia pois melhora a aderência aos sistemas de gestão já estabelecidos.

O item também apresenta a família de normas ISO 56000, desenvolvida pela ISO / TC 279, na seguinte forma, que vou traduzir livre e literalmente:

a) ISO 56002 – Gestão da inovação – Os fundamentos e o vocabulário fornecem um background essencial para o correto entendimento e implementação deste documento;

 

b) ISO TR 56004 – Diagnostico da Gestão da Inovação – A orientação fornece orientações para as organizações planejarem, implementarem e acompanharem uma avaliação da gestão da inovação;

 

c) ISO 56003 – Gestão da inovação – Ferramentas e métodos para parceria em inovação – Diretrizes;

 

d) e os padrões subsequentes fornecem orientação sobre ferramentas e métodos para apoiar a implementação do sistema de gestão da inovação.

 

O 0.4 argumenta também que a implementação de um sistema de gestão da inovação eficaz e eficiente pode ter impacto ou ser impactado por outros sistemas de gestão e pode exigir integração em vários níveis.

E segue falando que padrões do sistema de gestão podem se complementar ou serem usados de forma independente. Recomenda ainda que as organizações equilibrem diretrizes de gestão da inovação com outros padrões de gerenciamento.

É o fim do começo

Chegado ao fim da introdução, a norma deixa claro que é um instrumento para busca da inovação, e que nem por isso deixou de ter cara de sistema de gestão.

Essa introdução me anima muito por tornar possível uma aproximação e, porque não dizer, estimular uma coexistência entre o sistema de gestão da inovação apresentado na ISO 56002 com sistemas de gestão já implantados nas empresas, como a ISO 9001 por exemplo.

Mas esse é só o fim do começo, o próximo passo é entender o escopo da norma! De qualquer forma, espero que você já esteja convencido de que você deve, pelo menos, avaliar a possibilidade de usar a 56002 para compor o seu SGI.

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