Gestão de processos

Layout em células de manufatura

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Algumas semanas atrás abordamos sobre os tipos de layout e suas características. Hoje, apresentamos mais detalhadamente um dos tipos de layout, “o layout em células”, com o objetivo de mostrar suas peculiaridades e a maneira como ele é definido.

Só para recapitular, o layout em células de manufatura baseia-se no trabalho cooperativo ou em time de pessoas que formam um grupo coeso com relação à produção a ser realizada.

As células apresentam algumas vantagens, como o aumento da qualidade, da produtividade e da motivação. Para a formação das células devem ser identificadas as famílias de peças que serão processadas e as células devem ser montadas por família. A família de peças é constituída por peças com características de processamento similares. Podem-se formar células para fabricar um produto inteiro ou partes de um produto.

 

COMO FORMAR AS FAMÎLIAS

Para a formação das famílias, são utilizados três conceitos: russo, da codificação e do fluxo do processo.

1. Conceito russo: é assim chamado por ter sido desenvolvido pelos russos Mitrofanov e Sokolovski e consiste em analisar as peças em quatro passos sequenciais:

  • agrupar as peças em função dos equipamentos que as processam, por exemplo, prensa ou torno;
  • em cada caso, agrupar as peças por forma geométrica, por exemplo, cilíndricas como eixos e discos, com ou sem furo central;
  • agrupar por tipo de projeto, por exemplo, parafusos, anéis, eixos ou engrenagens;
  • agrupar por similaridade do ferramental necessário para a fabricação.

2. Conceito de codificação: relacionado com a existência de diferentes códigos para a separação das peças. Muitas empresas desenvolvem seus próprios códigos, por exemplo, o código Brisch-Birn, utilizado pela General Motors, no qual cada dígito depende do dígito anterior.

3. Conceito do fluxo do processo: para a formação de famílias com o conceito do fluxo do processo, necessita-se das ordens de fabricação com todos os dados de operações, material, tempo por operação, equipamentos e ferramentas necessárias para cada componente fabricado, e da lista completa dos equipamentos da fábrica. As etapas nesse método são inicialmente, o resgistro do fluxograma do processo básico e posterior determinação dos grupos principais pelas características comuns encontradas no fluxograma. Depois, deve-se determinar as exceções que ocorrem no processo e eliminá-las do estudo. Com essas informações determinam-se as famílias e os grupos definitivos para os quais deverá ainda ser feita a análise do ferramental necessário.

EXEMPLO: Matriz de processo em células.

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A empresa produz as partes A, B, C, D, E, F, G e H que passaram por diferentes máquinas (1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11 e 12, conforme apresentado na tabela abaixo.

 

 

Assim, foram formadas três células de manufatura:

  • Célula 1: constituída pelas máquinas 1, 2, 4, 8, 10 e que produz as partes A, D e F;
  • Célula 2: constituída pelas máquinas 3, 6, 9 e que produz as partes C e G;
  • Célula 3: constituída pelas máquinas 5, 7, 11, 12 e que produz as partes B, H e E.

Conforme observa-se, a parte ‘G’ também será processada na máquina 12 que está na célula 3 e a parte ‘E’ será também processada na máquina 6 que pertence a célula 2.

Dependendo do processo que a empresa possui, o layout celular auxilia no balanceamento de linhas de produção e funciona como estratégia para melhoria da qualidade e produtividade.

 

REFERÊNCIA

MARTINS, Petrônio G. LAUGENI, Fernando Piero. Administração da produção. São Paulo: Saraiva, 2006.

 

 

 

 

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