Victor é graduado em Jornalismo e atua como profissional de Marketing. Apaixonado por contar histórias e criar conexões através da comunicação. Faço parte do time de Marketing da ForLogic e do Qualiex, gerando conteúdo para aproximar a Qualidade de mais pessoas. Sou produtor do Qualicast, o 1º e maior podcast sobre Gestão da Qualidade no Brasil. Você pode me encontrar no Instagram ou no LinkedIn
- Victor Assis
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A mudança climática na ISO 9001 deixou de ser uma emenda e passou a fazer parte do texto da norma. Na ISO 9001:2026, publicada em setembro de 2026, a cláusula 4.1 exige que a organização determine se a mudança climática é uma questão relevante para o seu Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ).
Em resumo: a norma não pede um sistema de gestão ambiental, inventário de carbono nem certificação ISO 14001. Ela pede uma decisão fundamentada. O clima afeta, ou pode afetar, a capacidade da sua empresa de entregar produtos e serviços conformes e de satisfazer clientes? Se sim, o tema entra no contexto e segue para o planejamento. Se não, a justificativa precisa estar registrada e ser revista com o tempo.
Neste artigo, você vai ver onde o clima aparece na norma, o que mudou desde a emenda de 2024, um roteiro de cinco perguntas para avaliar a relevância, exemplos por setor e o que o auditor costuma procurar.
O que a ISO 9001:2026 diz sobre mudança climática?
A ISO 9001:2026 trata o clima em três pontos. Dois deles estão nos requisitos e um no Anexo A, que explica a intenção da norma sem criar novos requisitos.
- Cláusula 4.1 (requisito): a organização precisa determinar se a mudança climática é uma questão relevante para o SGQ. Como acontece com as demais questões internas e externas, essa informação deve ser monitorada e revista.
- Cláusula 4.2 (nota): uma nota lembra que as partes interessadas relevantes podem ter requisitos ligados ao clima. A mesma cláusula ganhou a alínea c), que pede decidir quais requisitos relevantes o SGQ vai abordar.
- Anexo A.4.2 (orientação): explica que expectativas sobre o clima podem influenciar requisitos regulatórios, requisitos de clientes e compromissos da própria organização. Quando forem relevantes, passam a fazer parte do contexto que orienta o planejamento e a operação do SGQ.

Vale separar o que é texto da norma do que é interpretação. O Briefing Note do Chartered Quality Institute (CQI), publicado em junho de 2026, orienta que, para a maioria das organizações, o clima tende a ser relevante. Por isso, o auditor deve esperar ver evidências dessa consideração no planejamento de riscos e oportunidades (cláusula 6.1.1). É uma leitura de mercado, não um requisito escrito, mas mostra para onde as auditorias devem olhar.
Se você quer a visão geral de todas as mudanças da revisão, comece pelo nosso guia ISO 9001:2026: o que muda na nova versão da norma.
O que mudou em relação à emenda climática de 2024?
Em fevereiro de 2024, a ISO publicou uma emenda que incluiu considerações sobre o clima nas cláusulas 4.1 e 4.2 da ISO 9001:2015 e de outras normas de sistema de gestão, como a ISO 14001 e a ISO 45001. Na época, o texto ficava em um documento à parte, a Amd 1:2024. Contamos essa história no post Sustentabilidade empresarial frente às mudanças climáticas e no resumo do webinar sobre o impacto das mudanças climáticas nas normas ISO.
A ISO 9001:2026 incorpora esse conteúdo ao corpo da norma e o cerca de mais contexto:
| Ponto | ISO 9001:2015 com a emenda de 2024 | ISO 9001:2026 |
|---|---|---|
| Onde o clima aparece | Emenda separada, aplicada às cláusulas 4.1 e 4.2 | No próprio texto das cláusulas 4.1 e 4.2 |
| Explicação da intenção | Não havia | Anexo A.4.2 explica como o clima influencia requisitos de partes interessadas |
| Partes interessadas | Determinar as partes relevantes e seus requisitos | Também decidir quais requisitos o SGQ vai abordar (4.2 c) |
| Notas de contexto | Lista de fatores externos e internos | Notas ampliadas: fatores políticos no contexto externo; direção estratégica, recursos e conhecimento no interno |
Na prática, quem já tratou a emenda de 2024 não precisa começar de novo. Precisa conferir se a decisão sobre o clima está registrada, se ainda faz sentido e se conversa com o planejamento do SGQ.
Como avaliar se a mudança climática é relevante para o seu SGQ?
A norma não define um método. Isso dá liberdade, mas também deixa muita gente sem saber por onde começar. Uma forma prática é responder, em grupo e com dados, a cinco perguntas.

- Exposição física. Eventos como chuva intensa, calor extremo, seca ou enchente já pararam, ou podem parar, a operação, a logística ou um fornecedor crítico?
- Transição. Leis, licenças, crédito, compras públicas ou o mercado do seu setor estão mudando por causa do clima?
- Partes interessadas. Algum cliente, matriz, banco ou órgão já pede dados, metas ou práticas ligadas ao clima?
- Resultados do SGQ. Algum desses fatores afeta a conformidade do produto, o prazo de entrega ou a satisfação do cliente?
- Horizonte. Esse cenário tende a crescer no período coberto pelo seu planejamento estratégico?
Para responder às duas primeiras perguntas, ferramentas de análise do ambiente externo ajudam bastante. Veja como usar a PESTEL na análise de contexto. Para a terceira, revise o seu mapa de partes interessadas. E, se a análise de contexto da sua empresa ainda está na versão 2015, veja o passo a passo completo em Contexto da organização na ISO 9001:2026: como fazer a análise.
A quarta pergunta é a que mais importa. A ISO 9001 é uma norma de gestão da qualidade. O clima entra no SGQ quando afeta os resultados pretendidos do sistema, e não porque o tema está em alta.
Com as respostas em mãos, a decisão fica mais simples:
- Algum “sim” forte: o clima é relevante. Registre na análise de contexto, leve para riscos e oportunidades (6.1) e defina como vai monitorar.
- Só “não” ou “pouco”: o clima não é relevante por enquanto. Registre a justificativa, quem decidiu e quando o tema será revisto.
Mudança climática pode ser “não relevante” para o SGQ?
Pode. A cláusula 4.1 pede que a organização determine se o clima é relevante, e não que ele seja relevante. Uma empresa de software com operação remota, por exemplo, pode concluir que a exposição física é baixa e que nenhum cliente faz exigências climáticas que afetem o SGQ.
O que não funciona é deixar a questão sem resposta. Uma justificativa auditável costuma ter quatro elementos:
- As fontes consultadas (histórico de ocorrências, requisitos de clientes, legislação do setor).
- A conclusão e o motivo.
- Quem participou da decisão.
- Quando ela será revista, por exemplo, na próxima análise crítica pela direção.
Um exemplo de registro: “Avaliamos eventos climáticos dos últimos cinco anos, os requisitos dos dez maiores clientes e a legislação aplicável. Não identificamos impacto sobre a conformidade dos serviços ou a satisfação dos clientes. Decisão da diretoria em 10/11/2026, a ser revista na análise crítica de 2027.”
Lembre-se de que a conclusão pode mudar. Um cliente novo que exige dados de emissões, uma enchente que atinge um fornecedor ou uma nova regra do setor são gatilhos para reabrir a avaliação.
Exemplos de mudança climática no SGQ por setor
O mesmo requisito gera respostas diferentes, porque o contexto de cada organização é diferente. Os cenários abaixo são ilustrativos e mostram onde o clima costuma aparecer e o que ele vira dentro do SGQ.

Repare que, em todos os casos, o clima vira algo que o SGQ já sabe tratar: um risco de fornecimento, um requisito de cliente, uma mudança de cronograma, um plano de contingência. É por isso que a avaliação da cláusula 4.1 se conecta diretamente à nova cláusula 6.1 da ISO 9001:2026, que agora separa ações para riscos e ações para oportunidades.
E sim, o clima também traz oportunidades: produtos de menor impacto, novos mercados, ganho de eficiência no uso de energia. A ISO 9001:2026 dá às oportunidades uma subcláusula própria (6.1.3), e vale olhar para elas com a mesma atenção dada aos riscos.
Como evidenciar a avaliação climática na auditoria?
Não existe exigência de um documento específico sobre clima. O que o auditor procura é coerência entre o que você decidiu e o que você faz. Estas evidências costumam bastar:
- Análise de contexto (4.1) com uma linha sobre mudança climática, a conclusão e a justificativa.
- Mapa de partes interessadas (4.2) indicando se há requisitos climáticos e se o SGQ os aborda, conforme a alínea c).
- Registro de riscos e oportunidades (6.1), quando o clima for relevante, com ações proporcionais. O processo de gestão de riscos em 7 etapas ajuda a estruturar essa parte.
- Pauta da análise crítica pela direção (9.3), mostrando que mudanças no contexto, inclusive as climáticas, são revistas periodicamente.
Se a sua empresa também tem um sistema de gestão ambiental, aproveite o trabalho já feito. A ISO 14001 recebeu a mesma emenda climática, e a análise de contexto pode ser compartilhada entre os sistemas, desde que fique claro o efeito sobre a qualidade.
Quais são os erros mais comuns ao tratar o clima na ISO 9001?
- Responder no automático. Escrever “não aplicável” sem fontes nem justificativa é o caminho mais curto para uma constatação.
- Confundir SGQ com gestão ambiental. A ISO 9001 não exige medir emissões. O foco é o efeito do clima sobre a qualidade e a satisfação do cliente.
- Parar na cláusula 4. Se o clima foi considerado relevante e não aparece em 6.1, a análise ficou pela metade.
- Esquecer a revisão. A norma pede que a informação sobre o contexto seja monitorada e revista. Uma decisão de 2024 que nunca mais foi revisitada perde força.
- Olhar só para riscos. Exigências de clientes por produtos de menor impacto também podem ser uma oportunidade comercial.
Quer ouvir uma conversa sobre o tema? No episódio #158 do Qualicast, Mudanças climáticas e normas de sistema de gestão, o convidado explica como o clima entrou nas normas e como se adaptar na prática. Para aprofundar a parte de riscos, ouça também o episódio Gestão de riscos na ISO 9001: boas práticas para evitar erros comuns.
Próximo passo: leve a revisão da norma para a sua equipe
A avaliação climática é uma das várias mudanças da ISO 9001:2026. Para ver todas elas, cláusula por cláusula, acesse a página de perguntas e respostas sobre a ISO 9001:2026 e garanta sua vaga na Semana da Qualidade 2026, de 9 a 13 de novembro, online e gratuita.
Perguntas frequentes sobre mudança climática na ISO 9001
Avaliar o tema é obrigatório. A cláusula 4.1 exige que a organização determine se a mudança climática é uma questão relevante para o SGQ. Tratar o clima como relevante depende do resultado dessa avaliação.
Não. A ISO 9001:2026 não exige sistema de gestão ambiental, inventário de gases de efeito estufa nem metas de emissão. Se um cliente pedir esses dados, isso entra como requisito de parte interessada, avaliado na cláusula 4.2.
Sim. Toda organização que adota a ISO 9001:2026 precisa fazer a avaliação. Algumas vão concluir que o clima não é relevante para o SGQ, e isso é aceitável quando há justificativa registrada.
O conteúdo da emenda foi incorporado ao texto das cláusulas 4.1 e 4.2. A versão 2026 também ganhou explicações no Anexo A.4.2 e a nova alínea 4.2 c), que pede decidir quais requisitos de partes interessadas o SGQ vai abordar.
Na análise de contexto da organização, junto das demais questões internas e externas. Quando o clima for relevante, ele também precisa aparecer no planejamento de riscos e oportunidades (6.1) e ser revisto na análise crítica pela direção.
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Sobre este conteúdo: elaborado pelo time de conteúdo da ForLogic com base na ISO 9001:2026 (cláusulas 4.1, 4.2, 6.1 e Anexo A.4.2) e no Briefing Note ISO 9001:2026 do CQI (junho de 2026). O texto da norma foi parafraseado, sem reprodução literal. Interpretações do CQI e da ForLogic estão sinalizadas como tal.