Filosofia de Excelência

Protagonismo é uma virtude e você pode treinar isso

Imagem dos chaveiros da Forlogic com todas as condutas. Em destaque, a conduta de protagonismo.
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Esse é um artigo para falar sobre protagonismo e como agir nesse sentido, mas vou evitar a tentação de cair no “papo de coach” ou nas entranhas do lugar comum. Vou tratar desse tema, porque no artigo anterior eu falei de liderança, autonomia e o home office, e os temas estão intimamente ligados. Acredito que para avançar precisamos de protagonismo.

Protagonismo x vitimismo

Protagonismo é uma virtude. É o ato de se colocar diante de uma situação como senhor do destino, como a pessoa que vai dar desfecho aquilo. É o oposto do vitimismo.

Vitimismo hoje, é uma praga. Eu me arrisco a dizer, que é o novo default (padrão) que encontramos nos profissionais e porque não dizer, em nós mesmos muitas vezes. Mas não vou falar do problema, vamos abordar a solução de uma maneira que o protagonismo possa ser observado e treinado.

Estímulo e Reação

Fomos catequizados que tudo na vida é estímulo e reação, ou seja, se algo acontece, é por que algo a estimulou. Se pensarmos friamente, esse argumento nos afasta da visão protagonista das situações.

Se perguntamos “porque você atendeu o celular”, “porque você abriu a porta”, as respostas serão, o telefone estava tocando, ou no segundo caso, tinha alguém tocando a campainha

Mas isso não é verdade. Somos nós, mentindo para nós mesmos.

Informação ao invés de estímulo!

O telefone estar tocando, era apenas uma informação. Uma informação sonora do seu telefone. Quem decidiu atender, de maneira protagonista, foi você.

Você poderia ter desligado, silenciado, jogado na parede, mas decidiu atender.

A informação (toque do telefone) veio, e acionou a sua consciência (o que pode ser feito) e você escolheu (dentre as opções que tinha) o que fazer (atender).

Perceba: houve informação – consciência – escolha – comportamento. Isso é coisa de protagonista.

Qual o problema?

O problema é que as pessoas muitas vezes colocam a responsabilidade das suas posturas e comportamentos no exterior, isso mesmo, nas informações.

Vamos analisar um exemplo: Eu gritei com ele porque ele foi rude. Se você gritou com alguém, foi porque escolheu ser agressivo depois da pessoa ter se comportado mal, a escolha foi sua. Você tinha uma infinidade de coisas para fazer, escolheu gritar com o outro.

O protagonismo tem uma relação íntima com a responsabilidade, e pouco tem a ver com a reatividade.

Mas e as reações tomadas no impulso?

Todos nós tomamos decisões, e fazemos coisas no automático. Sem perceber. Quem nunca pensou que ‘não devia ter dito isso’. E depois fica com o gosto amargo na boca de ter feito uma tremenda besteira. E às vezes nem é preciso dizer. Vou trazer meu exemplo.

Eu sou um exímio destruidor de ideias com o olhar. Já ouvi mais de uma vez que o jeito que eu olho, às vezes inibe o que a pessoa está dizendo ao ponto dela parar na metade. Isso acontece de maneira reativa, quando ouço algo que julgo ruim e meu automático assume o controle.

Poxa, então não é minha culpa, certo? O cara estava dizendo uma besteira!

Responsabilidade

Eu mesmo já me justifiquei pensado dessa forma. Mas era a vítima falando, eu agi assim, porque não tive escolha.

Mentira, eu poderia ter ouvido tudo que pessoa tem a dizer, agradecer, e dizer não, não faremos isso.

Grande parte das vezes que “reagimos”, atuamos contra nossos objetivos e valores, muitas vezes baseados em emoções que nem sabemos direito de onde vem.

Quando você compreende o que você causa, cabe a você encontrar formas de diminuir o estrago causado pelo “automático”. A responsabilidade é sua. E é claro que é difícil.

Uma excelente dica é respirar. Aprender com seu corpo, quando está recebendo uma descarga de adrenalina que quer “revidar”, lembrar dos seus valores, da pessoa na sua frente que é alguém adorável, que está tentando fazer algo bom.

Respirar antes de falar (coisa difícil pra mim), às vezes por 3 segundos, ajuda a recobrar a consciência e agir da forma correta. Quanto estamos no automático, não é a consciência falando, é a pré-consciência, e ela não é boa decisora.

Não é papo de coach!

Não é papo de coach, é pra dizer que você que tem que tratar isso. E precisa encontrar em cada situação, como você pode atuar de maneira direta. Fazer sua escolha alinhando os seus comportamentos com seus valores e objetivos de vida.

Esse ano eu assumi o desafio de ser um agente de serenidade dentro do nosso negócio, começamos o ano falando de serenidade e paz de espírito, sem imaginar pandemia alguma.

É muito difícil se policiar e fugir do automático. A melhor maneira de fazer isso é se manter presente. Procure o que te tira do eixo. No meu caso: os excessos, a vontade de fazer tudo e delegar pouco, me atrapalhavam.

Tudo isso, me tirava do eixo e levava embora a minha serenidade. Assumi que o responsável sou eu. Faço meditação, estudo todos os dias, observo meu comportamento e peço feedbacks regulares sobre o meu progresso. Esse foi o meu jeito de resolver, você tem que identificar o problema e ser protagonista com isso.

É importante você agir para evoluir e melhorar a coerência dos seus valores e princípios com a forma que atua, com os comportamentos que têm.

Protagonistas atuam

Ser protagonista não é ganhar sempre, é sempre assumir a postura de que você pode mudar um cenário, uma situação. Sim, existe o fator externo, mas ele só influencia o resultado, não como você vai agir. 

Às vezes as coisas não saem como o esperado e o responsável também foi você, mas se você estiver sendo protagonista, e agir conforme seus valores, vai sentir que fez tudo que podia.

Não se vitimize, isso não ajuda em nada.

É claro que eu gostaria de um ano sem pandemia, de ter crescido o triplo nesse trimestre ou que eu fosse “um cara mais tranquilo”, mas como nada disso está disponível pra mim, eu estou criando as minhas ferramentas para lidar com meus desafios. 

Talvez eu falhe, e então vou buscar outras ferramentas, mas se quero ser um protagonista, vou assumir que quem vai resolver os problemas que tenho, sou eu.

Sabe, acho que vale pensar que ninguém que mudou o mundo, fez isso reclamando. Ninguém reclamou, reclamou tanto, que o mundo mudou. Todos que mudaram o mundo, ou mesmo alguma coisa importante em sua própria vida, fizeram isso agindo. Atuando como protagonistas.

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