Qualidade

ISO 56002:2019 – a norma para gestão da inovação

3 pessoas ajudando um rapaz que está na escada a pegar uma lâmpada, ( que sinaliza a gestão da inovação).
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Pode acreditar, agora nós temos uma norma para sistematizar a gestão da inovação! E vou iniciar hoje uma série de artigos falando sobre essa norma. Meu objetivo com essa série é promover discussões e reflexões sobre o assunto

Antes de “começar a briga” do ”se é possível ou não ter uma norma para inovação”, vamos entender como que essa norma foi elaborada. Quem cria isso?

Quem publicou essa norma?

A ISO (International Standards Organization) é uma organização internacional que foi fundada em 1947, em Genébra, Suíça. E a ISO já publicou mais de 22.498 normas internacionais, entre elas, essa norma publicada este ano, a ISO 56002.

Vale lembrar que a ISO reúne especialistas em cada área de gestão para debater e construir as normas que publica . Hoje, a instituição possui membros em 164 países e mais de 780 comitês e subcomitês técnicos para cuidar disso. Aqui no Brasil, a ISO é representada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Uma norma vai me ajudar a inovar?

Aqui começa uma grande discussão, na qual eu tenho certeza que vou apanhar de todos os lados. Mas vou falar da “minha experiência” com o tema e com a norma.

Logo que vi uma norma para gestão da inovação fiz as primeiras “piadas”:

– Foi essa norma que o google usou para ser lançado?

– Essa é a norma que o Elon Musk usa na Tesla?

– A Apple é certificada nesta norma? Ou é a 3M que é?

Sim eu sei, faço piadas sem graça (quem já ouviu o qualicast sabe), mas a reflexão é boa, porque uma coisa que quero defender agora é: você não precisa dessa norma para inovar.

Assim como você não precisa da ISO 9001 para ter qualidade. Muitas empresas inovaram, inovam e vão continuar inovando sem tomar consciência que existe uma norma para esse fim, e isso é ótimo.

Assim como conheço várias empresas que não tem ISO 9001 mas que tem um nível de serviço invejável e uma qualidade superior. Inclusive as empresas que são certificadas.

Agora, para todas as outras empresas (as que não inovam, as que querem melhorar a qualidade) as normas podem sim, ser uma fonte de inspiração e apoio.

Porque a norma ISO 56002 me ajuda a inovar?

O Rogério da ATSG me disse uma vez que o idioma mais falado no mundo é o ISONÊS, em uma brincadeira com os doidos (como ele e eu) que estudam normas e sistemas de gestão. Isso porque as normas ISO são debatidas por um comitê internacional, ou seja, mais de 160 países podem se envolver na criação de uma norma, todos falando ISONÊS (o “idioma da ISO”).

Já parou para pensar a pluralidade de ideias, contextos, realidades e visões que isso pode trazer? Por isso uma norma internacional tem um peso tão grande e, muitas vezes, é utilizada como um “crivo” para comércio internacional.

A ISO 56002:2019 não é um conjunto de melhores práticas mundiais da inovação. Não é uma cópia de processos da Apple, Google, Amazon ou Tesla. Ela está longe de ser uma coisa definitiva ou um caminho único para inovar, mas ela é um compêndio de requisitos, termos e diretrizes sobre inovação debatidos por diversos especialistas em mais de 160 países.

A ideia da norma é padronizar as terminologias, ferramentas, métodos e interações entre as partes envolvidas na inovação. Ela busca, com isso, preparar a mentalidade da empresa para a inovação.

A meu ver, essa não é uma norma que vai te dar boas inovações. Porém ela pode te ajudar a encontrar as inovações dentro do seu negócio, e testá-las. Se elas vão ser boas ou não, depende de você. A norma vai colocar o seu olhar nos processos para atuar com inovação, e eu achei isso muito legal.

Vale a pena?

Claro que vale, quem me conhece sabe que eu defendo que normas são ferramentas. E a mesma ferramenta que constrói pode destruir; depende da intenção, habilidade e destreza de quem a utiliza. Sendo assim, essa “ISO da inovação” é uma ferramenta, e você precisa usá-la direito!

Um ponto que vale ressaltar é que ela estará na estrutura do anexo SL, o que vai facilitar a adequação da norma ao seu sistema de gestão. E que essa é uma ferramenta que pode ajudar sua empresa a ser mais inovadora, mas como em TODA NORMA, o trabalho depende de você, não da norma.

Nos próximos artigos, vou começar a tratar especificamente os requisitos da norma para gestão da inovação. Vou apresentar pontos que podem sim fazer muito sentido para promover a inovação dentro da sua empresa.

Mas antes, que tal ampliarmos um pouco essa discussão? Me responde nos comentários:

E aí, para você faz sentido ter uma norma para inovação? E para o seu negócio?

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