Gestão de processos

Precisamos falar sobre automatização de processos da Qualidade

homem marcando 5 estrelas, automatização de processos da qualidade
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Eu tenho certeza de que a automatização de processos de produção já foi pauta de uma ou outra discussão na sua empresa. Talvez até mesmo de reuniões formais e análises críticas. Isso se não for foco da empresa nesse exato momento.

E não é pra menos. Automatizando as coisas, é possível dar saltos incríveis em produtividade, redução de custos, padronização, agilidade e em diversos outros pontos. Me arrisco a dizer que, em certos contextos, a automatização é um caminho natural na busca pela Qualidade e pela velocidade de execução.

Se você discorda do que eu disse até agora, pode já deixar seu comentário e sair do texto. Sem nenhum tipo de remorso. Afinal, até aqui, acredito que seja unanimidade total!

O que eu quero dizer é: falar em automatização de processos de produção já é sinônimo de melhoria. Entretanto, uma confusão comum (que tem origem antes mesmo dessa discussão) acaba por excluir a gestão da qualidade desse processo.

O que acontece então é que pipocam falas como:

  • Isso não é prioridade no momento”;
  • A diretoria não aprova orçamento para a qualidade”;
  • Automatizar a qualidade é muito caro”;
  • Automatizar ou não a gestão da qualidade não faz diferença nos resultados da empresa
  • E por aí vai! (acredite, pode ficar pior!)

A desastrosa confusão dos “processos da qualidade”

Por motivos didáticos, nos referimos a diversos aspectos do SGQ como “da qualidade”. São documentos “da qualidade”; fluxogramas “da qualidade”; ocorrências “da qualidade”; auditorias “da qualidade”, etc. Dessa forma, é mais fácil fazer referência a esses fatores e conversar sobre eles.

O problema que nós não enxergamos é que, às vezes, isso acaba por gerar uma exteriorização nos aspectos do processo. Como se esses documentos pertencessem a outro setor, e não ao trabalho que as pessoas executam todos os dias. Em outras palavras, “isso é coisa da qualidade, e não do meu processo”.

Assim, algumas rotinas do processo, como a verificação de resultados (indicadores); a tratativa de não conformidades (também chamadas ocorrências); a produção de documentos de apoio (processos, procedimentos ou Its por exemplo) não são encaradas como parte do processo.

Automatização pela metade

Por esse motivo, quando a discussão sobre automatização começa tomar forma na empresa, muitas vezes, “a Qualidade” fica de fora. Entretanto, analisando melhor, é fácil perceber que, na verdade, partes do processo é que estão sendo ignoradas.

Eu automatizo as partes físicas processo. Penso nas máquinas e nas pessoas. Porém, as etapas gerenciais dele, que são do processo, e não “da qualidade”, são ignoradas.

Dessa forma, tenho processos muito mais ágeis! Mas não consigo analisar os indicadores deles porque a consolidação dos dados é ridiculamente lenta… Então eu não sei ao certo quais foram os ganhos que tive com a automatização.

Eu reduzo muito o setup de produção da minha linha! Mas quando algo sai não conforme eu demoro eras para identificar, analisar e tratar isso… Afinal, minha tratativa de NCs é 200% manual. Agora, ao identificar não conformidades, eu tenho mais produtos sendo produzidos não conformes até eu eliminar a causa raiz, já que eu demoro mais para encontrar a causa raiz. Cria-se um ciclo codependente que acelera a produção, mas também gera cada vez mais prejuízos e retrabalho!

Automatizei praticamente toda a minha empresa! Mas meus procedimentos, processos e Its ainda estão nos modelos antigos, porque a gestão de documentos é “coisa da qualidade”. Quando consultar algo, o colaborador vai encontrar um documento desatualizado, que não representa o processo. Assim, passo a ter mais dificuldades com novos colaboradores, tanto na integração quanto no treinamento e na execução diária dos processos. Como não é incomum que falhas no treinamento originem erros e não conformidades, mais uma vez tenho um fator que gera prejuízo e retrabalho.

Resumindo tudo: eu realmente levo a sério e executo uma verdadeira automatização de processos na minha empresa, mas só automatizo meia parte dos processos.

Não é possível ser “metade veloz” ou ter “meia qualidade”

Nesse ponto do artigo, percebo que até mesmo eu, ao falar sobre o assunto, fui redutivista. Foquei meu texto todo nos “processos de produção”. Mas somente eles são necessários na empresa? Como se só neles a automatização de processos existisse e só nelas as “rotinas da qualidade” fossem esquecidas.

Gestão de pessoas, compras, infraestrutura, atendimento ao cliente e muitos outros. São processos que estão envolvidos e relacionados a conseguirmos entregar ao cliente o que ele confiou em pedir a nós. A satisfazer suas necessidades e expectativas.

Viu como é fácil cair na armadilha do “isso é coisa da qualidade”?

Qualidade: ter ou não ter, eis a questão escolha!

Com isso, quero encerrar o texto reforçando minha ideia principal. O ponto em que quero chegar é que não dá para ter Qualidade em apenas metade da empresa!

Sabe, é como ter uma moto (estou falando de motos porque eu amo a minha. Tem até nome próprio: #Vica). Se você quer toda a performance que ela pode ter. Quer obter o maior conforto possível. Se quer conseguir o melhor desempenho. Você precisa cuidar dela por inteiro!

O motor é que gera o movimento. Mas não adianta só manter o motor em dia, existe uma série de componentes de apoio que vão trabalhar em conjunto. Uma carenagem torta vai atrapalhar na aerodinâmica. Uma corrente frouxa ou mal engraxada, no torque. Um velocímetro quebrado vai te fazer levar uma multa. A falta de um retrovisor pode gerar acidentes graves.

Portanto, ou você cuida do todo ou aceita que não vai chegar ao máximo que poderia. A escolha é sua!

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