Graduado em Jornalismo e profissional de Marketing. Apaixonado por contar histórias e criar conexões através da comunicação, faz parte no time de Marketing da ForLogic, gerando conteúdo para aproximar a Qualidade de mais pessoas.
- Victor Assishttps://blogdaqualidade.com.br/author/victor-assis/
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Você já ouviu falar em Blue Ocean Strategy? Quando falamos em “inovação”, muitos profissionais da qualidade pensam imediatamente em áreas como produto, marketing ou tecnologia.
Mas a verdade é que a Estratégia do Oceano Azul tem um potencial gigantesco quando aplicada à gestão da qualidade. Especialmente porque ajuda empresas a escaparem da competição acirrada, aquela lógica de “fazer igual, só que melhor”.
O conceito é simples: em vez de disputar espaço em um oceano vermelho (cheio de concorrentes e disputa sangrenta), você cria o seu próprio oceano azul. Um espaço inexplorado, onde o valor é redesenhado.
E, dentro da Qualidade, isso significa abrir novas formas de entregar valor. Sem entrar em guerras de preço, sem competir por “certificação mais barata” ou “auditoria mais rápida”.
Bora mergulhar nesse assunto?
O que é a Blue Ocean Strategy?
A Blue Ocean Strategy foi criada por W. Chan Kim e Renée Mauborgne no início dos anos 2000. Ela ficou conhecida por mostrar que a maioria das empresas compete de forma limitada, brigando pelos mesmos clientes no mesmo espaço.
No oceano vermelho, tudo é padronizado, previsível e caro de competir. Já no oceano azul, você muda o jogo.
Em vez de olhar para a concorrência, você olha para:
- quem ainda não é atendido,
- quais necessidades são ignoradas,
- onde há atritos desnecessários,
- quais atividades podem ser redesenhadas.
Essa lógica é extremamente ligada ao DNA da qualidade: melhorar continuamente, mas com propósito. Não só para reduzir falhas, mas para criar valor de verdade.
Por que aplicar Blue Ocean Strategy na área de Qualidade?
A gestão da qualidade costuma ser vista como área de padronização, controle e conformidade. Isso não é ruim, mas é limitado. O grande ponto é que a qualidade também é uma área altamente estratégica.
Ela pode contribuir diretamente para:
- revelar oportunidades escondidas,
- identificar gargalos que os clientes já aceitaram como “normais”,
- eliminar complexidades,
- facilitar entregas,
- criar experiências que mudam a percepção de valor.
E é justamente aqui que a estratégia do oceano azul faz diferença. Ela permite criar novas propostas de valor antes que a concorrência perceba que existe demanda.
No Qualicast #182, falamos um pouco sobre como tornar a área da Qualidade mais estratégica nas organizações. Um papo que tem tudo a ver com a blue ocean strategy. Confira!
Dá para “criar” um oceano azul?
Antes de entrar nas etapas práticas da Blue Ocean Strategy, existe uma confusão comum que precisa ser corrigida: ninguém cria um oceano azul por querer.
Não existe um botão de “novo mercado” ou uma ideia mágica que muda tudo da noite para o dia. Na prática, o que você cria é valor novo, relevante e percebido. O oceano azul é o espaço que se abre a partir dessa nova proposta de valor.
Ou seja, o oceano azul é revelado quando você redesenha a forma de resolver um problema que o mercado já aceitava como “normal”.
E dentro da Qualidade isso fica ainda mais claro. A área não vai inventar uma nova indústria, mas pode construir diferenciação real quando:
- elimina burocracias que todos consideram inevitáveis,
- reduz complexidades que geram retrabalho,
- eleva entregas que realmente fazem diferença,
- cria soluções que ninguém oferecia ou não eram tratadas como prioridade.
Quando uma área de Qualidade faz isso, ela abre um espaço onde praticamente não há competição, porque passa a entregar algo que outros simplesmente não entregam. É aí que começa, de fato, o oceano azul.
Como abrir espaço para um oceano azul na Qualidade?
Para abrir espaço para um oceano azul dentro da área de Qualidade, você não precisa criar um “novo mercado” ou inventar uma solução revolucionária. O que você precisa é identificar onde existe valor sendo desperdiçado, onde há dores aceitas como inevitáveis e onde processos seguem uma lógica antiga sem necessidade real.
Oceano azul emerge quando uma área consegue redesenhar valor de uma forma que ninguém estava oferecendo.
Na prática, isso significa olhar para o trabalho da Qualidade com uma lente menos operacional e mais estratégica, questionando padrões profundamente arraigados.
1. Identifique onde está o “oceano vermelho”
Oceano vermelho não aparece só em mercados saturados; aparece também em padrões internos que já não fazem sentido, mas continuam sendo repetidos.
Busque por situações em que todos fazem do mesmo jeito, as pessoas aceitam falhas como “normais” e onde há disputa constante de prioridade, tempo ou recurso.
Exemplos típicos na Qualidade:
- Treinamentos de norma sempre iguais, focados apenas em cláusulas.
- Rotinas de auditoria que repetem o mesmo roteiro há anos, sem insight novo.
- Tratativas de ocorrências que geram retrabalho por seguir fluxos engessados.
Quando tudo se parece demais, você encontrou seu oceano vermelho. Esse é e um excelente ponto de partida.
2. Mapeie as dores que as pessoas toleram, mas não gostam
Oceano azul costuma nascer onde existe incômodo escondido, aceito por hábito.
Esse é um elemento que profissionais da Qualidade conseguem identificar com precisão, porque vivem no cruzamento entre operação, processos e clientes internos.
Algumas dores clássicas que surgem em empresas:
- Aprovações lentas que ninguém questiona.
- Informações perdidas em mil planilhas diferentes
- Indicadores que não geram decisão.
- Relatórios que parecem apenas cumprir tabela.
- Processos duplicados ou inconsistentes entre áreas.
3. Use o ERRC para redesenhar valor
O ERRC é uma das ferramentas práticas mais fortes da estratégia do oceano azul, e encaixa perfeitamente no dia a dia da Qualidade.
Aqui, a lógica deixa de ser “melhorar o que existe” e passa a ser “reposicionar o valor”.
- Eliminar: o que não faz sentido e só ocupa tempo?
- Reduzir: o que pode ser simplificado sem comprometer a entrega?
- Elevar: o que precisa ser mais robusto ou mais visível porque gera valor real?
- Criar: o que poderia existir e resolveria um problema que todo mundo já se acostumou a ter?
O papel da Qualidade aqui é crucial: priorizar valor, não tradição.
4. Construa uma proposta de valor diferente
Oceano azul não nasce de algo enorme. Muitas vezes ele nasce de algo óbvio, mas ignorado por anos. Por isso, é importante ter um ponto de partida, ainda que pequeno.
Alguns exemplos simples que mostram essa lógica:
- Criar dashboards que priorizem tomada de decisão, não apenas registro.
- Desenhar fluxos de ocorrências claros, sem etapas que ninguém entende.
- Evoluir um treinamento focado em problemas reais, não na memorização da norma.
- Simplificar documentos que perderam o propósito ao longo dos anos.
- Incorporar automações leves que eliminem retrabalho desnecessário.
Perceba: nada disso é “reinventar o mercado”. Mas tudo isso muda o jogo dentro da empresa.
5. Teste rápido, comunique melhor, aprenda mais rápido ainda
O que realmente abre espaço para um oceano azul não é a ideia em si, mas o ciclo.
Você identifica uma oportunidade, redesenha algo usando ERRC, testa em pequena escala, observa o impacto, ajusta e comunica para quem precisa ver valor.
Profissionais da Qualidade tendem a pecar justamente nessa última parte: comunicar claramente o valor criado. Sem isso, a inovação vira apenas “mais um processo”.
Quando você entrega valor visível e perceptível, o oceano azul começa a se abrir e a área de Qualidade deixa de ser vista só como controle, passando a ser percebida como criadora de diferenciação.
Aprofundando a matriz ERRC
A matriz ERRC é a ferramenta prática central da Blue Ocean Strategy. Ela funciona como um filtro para revisitar processos com honestidade.
A sigla aponta para as quatro perspectivas que exploramos ao colocá-la em prática: Eliminar, Reduzir, Elevar e Criar. A seguir, vamos entender com um pouco mais de detalhe o que cada uma dessas etapas representa.
Eliminar
Diz respeito a práticas que sobraram do passado e não servem mais. Processos, reuniões, rotinas e indicadores que não geram valor real.
Reduzir
Trata de etapas que até têm utilidade, mas consumem mais esforço do que deveriam. Atividades que são importantes, mas consumem esforço desnecessário.
Elevar
É a parte em que a área aprofunda o que tem impacto real. Elementos da Qualidade que precisam ganhar mais profundidade, capacidade ou recurso.
Criar
Abre espaço para soluções novas, muitas vezes simples, mas que destravam o fluxo de trabalho. Soluções, serviços, processos, análises, produtos internos, frameworks, treinamentos e ferramentas que não existem hoje.
Essa matriz funciona bem para revisar processos como auditorias, gestão de indicadores, atendimento a clientes internos, análise de causa ou tratamento de NCs.
Ela ajuda o time a sair da lógica de consertar o que está ruim e entrar na lógica de reconstruir o que faz sentido. Perceba que o oceano azul começa aqui: quando você deixa de tentar “melhorar o velho” e começa a “criar o novo”.
Exemplo prático: oceano azul no dia a dia da Qualidade
Imagine uma empresa onde o processo de tratativa de ocorrências é cheio de passos, revisões e aprovações. Todo mundo acha normal, ninguém questiona, e os retrabalhos seguem.
Agora imagine que a área de Qualidade decide redesenhar o fluxo usando o ERRC:
- Eliminar: aprovações duplicadas.
- Reduzir: etapas manuais já superadas por automação.
- Elevar: o foco na análise de causa real.
- Criar: um painel visual que permite acompanhar ocorrências sem abrir dez telas.
O resultado disso é muito maior do que um simples fluxo mais enxuto. Quando você elimina etapas desnecessárias, você facilita a vida de quem usa o processo e entrega algo que realmente ajuda em decisões estratégicas.
As pessoas passam a ver a Qualidade como uma área que resolve problemas reais, reduz atrito e entrega valor onde ninguém estava olhando.
É isso que define um oceano azul: a construção de um espaço que não existia porque ninguém tinha parado para redesenhar a lógica por trás do processo.
Esse papo tem tudo a ver com o PDCA na prática. Falamos sobre isso no Qualicast #014, já ouviu?
Mas, atenção: oceano azul não é uma “ideia genial”
Um oceano azul é o resultado de enxergar padrões que ninguém percebe mais e compreender onde está o valor real. Em outras palavras, não depende de “inspiração genial”, mas de um olhar disciplinado para aquilo que realmente importa.
É justamente aqui que muitos profissionais tropeçam. Quando a busca por diferenciação se torna um fim em si mesma, o resultado tende a ser soluções superficiais.
Do mesmo modo, criar iniciativas novas sem revisar o que já existe só aumenta a complexidade interna e diminui a adesão.
Para reforçar essa visão, vale lembrar os três erros mais frequentes ao tentar aplicar a estratégia do oceano azul:
- Buscar ser “diferente” apenas para parecer inovador.
- Criar coisas novas sem eliminar práticas antigas.
- Confundir “tecnologia” com “valor real para o usuário”.
Um profissional de Qualidade que realmente domina a blue ocean strategy não se deixa levar por esses atalhos. Ele usa dados, conversa com quem vive os processos, entende fricções e reconstrói o valor de maneira consciente.
É essa combinação que transforma boas intenções em espaços claros de oceano azul.
Como usar Blue Ocean Strategy na Qualidade?
Essa estratégia funciona muito melhor quando você começa pequeno, testa rápido e ajusta com base no impacto real.
Ou seja, é menos sobre ter uma ideia brilhante e mais sobre criar ciclos curtos de experimentação que revelam onde existe valor escondido.
A partir daqui, podemos usar uma estrutura simples para orientar o movimento sem transformar isso em um manual engessado:
1 — Escolha um processo ou entrega específico
Não tente “criar um oceano azul para a área inteira”. Comece por algo controlável, visível e que toque a rotina das pessoas. Um formulário, uma etapa de aprovação, um fluxo de análise, qualquer ponto onde exista fricção real.
2 — Converse com quem usa esse processo
Aqui está a parte que muita área de Qualidade negligencia: falar com quem realmente sente o problema. Cinco minutos de pergunta aberta resolvem mais do que três reuniões de alinhamento.
O objetivo é entender o atrito invisível: aquilo que nunca virou reclamação oficial, mas consome energia todos os dias. E é justamente daí que o “oceano azul” começa a surgir, quase sempre onde ninguém estava olhando.
3 — Mapeie as dores toleradas
Toda empresa convive com problemas que viraram parte do cenário. Quando você lista essas dores, começa a encontrar oportunidades para criar valor sem precisar inventar nada mirabolante. É aqui que começa a emergir o espaço onde a Qualidade pode gerar um valor inesperado.
4 — Use o ERRC para redesenhar
Não precisa transformar o ERRC (Eliminar, Reduzir, Elevar, Criar) em um workshop de três horas. Use a matriz como um instrumento de corte para separar o que realmente importa do que só existe por hábito.
Quando você aplica isso em um processo específico, a inovação deixa de ser abstrata.
5 — Teste e ajuste
Teste com um grupo pequeno, colha feedback rápido e ajuste ainda mais rápido. Um piloto bem-feito reduz risco, aumenta aceitação e revela nuances na prática. Quando isso acontece, fica evidente que você não “inventou um oceano azul”: você abriu espaço para ele existir.
Checklist simples para aplicar amanhã
Para não deixar o artigo só na teoria, aqui vai um checklist para você usar imediatamente. Responda:
- O processo que quero melhorar tem concorrência interna?
- As pessoas aceitam dores como “faz parte”?
- Sei exatamente o que posso eliminar ou reduzir sem afetar o resultado?
- Há valor que poderia ser elevado e ninguém percebeu?
- O que posso criar que tornaria esse processo mais útil para quem usa?
- Consigo testar isso rápido, sem um projeto gigante?
Se você responder “sim” para a maioria, tem um oceano azul em construção.
Oceano azul é menos glamour e mais prática
A blue ocean strategy não é um modelo reservado para executivos ou empresas gigantes. Ela é uma forma de pensar, extremamente alinhada à área da Qualidade: olhar para o valor real, não para a tradição.
Quando você aplica esse conceito em pequenos fluxos, você constrói inovação sem depender de orçamento extraordinário ou “ideias revolucionárias”.
E, com o tempo, você cria algo que poucas áreas conseguem: uma reputação de entregar diferenciação de verdade.
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