Gurus da Qualidade

Gurus da Qualidade: William Edwards Deming

Foto do William Edwards Deming, guru da Qualidade, responsável pela difusão da melhoria contínua, constância de propósito e conhecimento organizacional.
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Neste episódio da série Gurus da Qualidade, que são pessoas que contribuíram para a evolução da gestão da Qualidade ao longo da história, iremos falar sobre as contribuições de William Edwards Deming, considerado o “filósofo do movimento de qualidade”.

Quem foi William Edwards Deming?

Nascido em 14 de out de 1900 em Sioux City (USA), Deming se graduou em engenharia e em matemática pela Universidade de Wyoming em 1922. Após isso, foi para a escola de Minas do Colorado, realizando assim seu mestrado em Matemática e Física.

Com o doutorado terminado em 1928 em Yale, foi atuar no governo dos EUA, no departamento de agricultura (USDA), onde trabalhou como Físico Matemático no Laboratório de Pesquisas de Fixação do Nitrogênio. No período em que esteve diante do departamento, realizou 38 publicações sobre estatística.

Entre as décadas de 30 e 50, trabalhou como professor especial do Departamento Nacional de Padronização; foi professor de estatística e matemática; atuou também como chefe do Departamento de Matemática e Estatística da escola de Pós-Graduação do USDA; e em 1943 realizou a publicação do seu livro “Ajustamento Estatístico dos Dados.

Também durante esse período, estudou Teoria Estatística na Universidade de Londres, e logo após publicou o livro “Palestras e Conferências em Estatística Matemática”.

Como Deming contribuiu para a Qualidade?

Buscando sempre uma melhoria significativa de processos nos EUA, durante o período da segunda guerra mundial, e posteriormente a ela, após 1950, Deming recebeu da JUSE (Japan Union of Scientists and Engineers) o convite para realizar palestras e conferências aos empresários japoneses, levando-os a realizar os métodos propostos por Deming para controle da qualidade e princípios da administração.

Essa mudança na visão e métodos pelos empresários japoneses fez com que a indústria japonesa começasse a liderar vários mercados em que concorria, dentre eles o automobilístico e tecnológico.

Tendo sucesso na implementação e implantação dessa nova visão, muitos especialistas consideram essa mudança de paradigma Japonês como o marco zero da história da qualidade no Japão. Com esse sucesso, o Japão criou em 1951 o Prêmio Nacional da Qualidade, Prêmio Deming, em sua homenagem.

Difusão do Ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Action)

O PDCA é uma ferramenta da Qualidade utilizada no controle de processos. Muitos acreditam que foi uma criação de Deming, mas ao contrário do que pensam, esse ciclo foi criado por Walter A. Shewart na década de 20.  

Anteriormente, era conhecido como PDS (Plan – Do – See). Deming foi o responsável por uma melhora significativa no processo, que levou sua expansão para o Japão, e para uma melhor compreensão dos japoneses, mudanças foram necessárias, pois interpretavam o verbo see como uma atitude passiva de apenas ficar na expectativa. Deming conseguiu explicar de maneira adequada a interpretação do método, não sendo apenas ver ou revisar, e sim realizar alguma ação, take action em inglês. Com isso, foi adicionado o verbo action ao modelo, retirando o verbo take.

Assim o ciclo passou de “Plan – Do – See” para “Plan – Do – Check – Action’’, que a posteriori de sua melhoria e difusão ficou conhecido como “Ciclo Deming”, por todos que o utilizavam.

As 3 crenças de William Edwards Deming

Existem três crenças difundidas por Deming na gestão organizacional, são elas: constância de finalidade; melhoria constante; conhecimento profundo, cujas diretrizes são traduzidas em seus quatorze princípios para a qualidade:

  1. Crie constância de propósito;
  2. Adote a nova filosofia – vivemos em uma nova era econômica;
  3. Não dependa da inspeção para atingir a Qualidade;
  4. Pare de aprovar orçamentos com base nos preços;
  5. Aperfeiçoe constante e continuamente os processos da empresa (melhoria contínua);
  6. Institua treinamento no local de trabalho;
  7. Adote e estabeleça lideranças;
  8. Elimine o Medo;
  9. Quebre as barreiras entre os departamentos;
  10. Elimine slogans, exortações e metas da força de trabalho;
  11. Elimine quotas (padrões de trabalho) e metas numéricas;
  12. Remova as barreiras que roubam das pessoas o direito de orgulhar-se de seu trabalho;
  13. Estabeleça um programa rigoroso de educação e auto-aprimoramento;
  14. Coloque a empresa toda para trabalhar pela transformação.

Se você quiser saber mais sobre os 14 Princípios de Deming, temos um artigo que explica cada um deles e também um podcast completo (arquivo 100% em áudio).

As 7 doenças organizacionais

Em sua obra “Saia da Crise” (Out of the Crisis) de 1986, Deming propõe 7 pontos (ou 7 enfermidades mortais) que pode sofrer a gerência de uma organização. Essas enfermidades se opõem justamente aos três crenças que ele prega: à melhoria contínua, à constância de propósito e ao conhecimento organizacional. As 7 enfermidades organizacionais são:

  1. Falta de constância nos propósitos;
  2. Ênfase nos ganhos de curto prazo;
  3. Avaliação de Desempenho, classificação por mérito;
  4. Rotatividade dos executivos;
  5. Gestão da empresa baseado somente em cifra e números;
  6. Custos médicos excessivos;
  7. Custo excessivo de garantias.

Conclusão

Conforme vimos ao longo do artigo, graças ao empenho de William Edwards Deming, houveram diversas melhorias nos processos da qualidade no mundo todo. Ele ajudou a tornar as empresas que vivenciam sua filosofia mais competitivas, buscando a melhoria constante e a visão de longo prazo.

Tamanha foi sua contribuição, que até hoje ele é um dos nomes mais lembrados quando ao assunto é qualidade, excelência e gestão. Além disso, deixou diversas contribuições ao redor do mundo, vale lembrar que existe, inclusive, uma fundação chamada The W. Edwards Deming Institute, que busca enriquecer a sociedade por meio da filosofia de Deming.

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